quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

GONGYO

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O QUE É O GOSHO?

Chama-se "Gosho" ou "Gosho Zenshu", a recopilação de escritos que estabeleceu o Buda Original, Nitiren Daishonin, ao longo de sua vida consagrada a propagar o Budismo e estabelecer as bases do Kosen-Rufu.
A palavra Gosho aplica-se a todo o corpo de escrituras, a cada carta que Nitiren Daishonin escreveu. "Go" é um prefixo honorífico. "Sho" significa "escrito".
A designação Gosho não foi empregada pessoalmente por Daishonin, mas quem a empregou foi Nikko Shonin, seu sucessor imediato, para enaltecer cada uma das frases escritas por seu mestre com o fim de estabelecer o Verdadeiro Budismo.
Nikko Shonin fez esforços extraordinários para recopilar, copiar e preservar a obra de seu mestre. Sua grande preocupação era evitar que as cartas e teses do Buda se perdessem, pois, graças a relação de mestre e discípulo, ele sentia que nelas estava a base do futuro do Kossen-Rufu.
Muitos mestres e sábios da época escreviam seus ensinamentos em chinês clássico, que era incompreensível às pessoas sem erudição. Também dedicavam-se a escrever apenas teses e tratados de fundo acadêmico.
Sem dúvida, Daishonin tinha uma única preocupação: salvar as pessoas anônimas e manifestar em cada uma seu próprio estado de budicidade; dar ao povo sua verdadeira dignidade, compartilhando com ele a grandiosa sabedoria de Buda e fazer com todos fossem budas como ele.
Por isso escrevia com estilo sobressalente e depurado, mas com simplicidade de um verdadeiro sábio. Quando dirigia-se a uma senhora que não havia tido uma educação acadêmica, escrevia em um dialeto popular, o que lhe valia o desdém de certos eruditos e elitistas.
Quando dirigia-se ao governo, aplicava os recursos do estilo literário, mas iluminado pela chama da verdade e da sabedoria. Seu modo de escrever era contundente, antecipado a sua época, vigoroso, cheio de benevolência, livre de toda superficialidade. Cada palavra de Daishonin é letra viva e transcende toda circunstância de tempo e espaço. Por isso, hoje, sete séculos depois, continuamos lendo o Gosho com se houvesse sido escrito para nós, na época atual.
No Gosho incluem-se tratados da doutrina, registros de ensinos orais, cartas de admoestação, gráficos, cartas a seus discípulos e seguidores leigos, e outras escrituras. Hoje são preservadas mais de setecentas obras de Daishonin, entre as quais, manuscritos originais e cópias de seus sucessores, textos completos e fragmentos.
No ano de 1951, o segundo Presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, teve a determinação de promover a edição e compilação do Gosho. Para isso solicitou autorização ao Sumo Prelado Nitiko Hori, brilhante erudito, que aplaudiu o projeto e se uniu a ele encarregando-se da supervisão editorial.
Desta forma, em abril de 1952, o dia da celebração do sétimo centenário do Verdadeiro Budismo, pode-se contar com a versão autorizada e definitiva do Gosho Zenshu, graças ao trabalho da Soka Gakkai.
COMO DEVEMOS LER O GOSHO?
Existem três leituras:
1. A primeira seria pensar que os Goshos foram escritos no Século XIII no Japão para um seguidor. Que relação tinha Daishonin com essa pessoa? Como o orientava em suas circunstâncias? Qual era a realidade nessa época?,etc. Esta seria uma leitura geral, mas superficial.
2. A segunda forma de ler o Gosho é pelo ponto de vista da minha própria fé. Pensar que esse Gosho foi escrito para mim, para as minhas circunstâncias, como se o carteiro tivesse batido à minha porta e entregue em minhas mãos um ensinamento que o Buda escreveu para que eu forjasse a minha fé. Desse modo, o Gosho se converte num ensinamento transcendental, que supera todo limite de tempo e espaço, pois trata-se de uma transmissão direta, de vida a vida, através das três existências.
O fato de que nos sintamos discípulos de Daishonin ou não, depende exclusivamente de nós, pois o mestre sempre está aberto igualmente para todas as pessoas. Quem pode sentir o laço eterno entre a vida do mestre e sua própria vida, quem pode cultivar, através de seus esforços, seriedade e determinação, a relação de mestre e discípulo, é a pessoa que cresce ilimitadamente e que, por sua vez, forja inumeráveis seguidores, sem deter-se diante de qualquer obstáculo.
Quando alguém lê o Gosho a partir deste enfoque, pode sentir a emoção e a riqueza que só se experimenta no mundo da fé. Só com base no Gosho e no Gohonzon, alguém pode forja-se como devoto verdadeiro e levantar-se só com o coração valente de um discípulo...
3. A terceira leitura, a mais profunda, é buscar o ensinamento do Gosho com séria determinação de refleti-la em cada um de nossos atos. Quer dizer, ler o Gosho com a vida e alcançar uma absoluta coerência e inseparabilidade entre o ensino de Daishonin e nosso comportamento como pessoa na vida diária.
A fé não existe fora de nossa conduta diária como seres humanos. Assim o disse o Gosho. Esta leitura, entrelaçada com a ação, implica um compromisso sem reservas e uma decisão que vá mais longe do que as teorias ou palavras. Todos devemos ter este tipo de fé, inseparável da vida cotidiana.
Então, abordemos o estudo do Gosho com toda a seriedade e responsabilidade e reflitamos sobre estas perguntas:
1. Qual é a essência profunda do Gosho que acabo de estudar? Pude compreende-lo verdadeiramente, além do aspecto superficial?
2. Que decisão pude tomar em minha vida diária, para aplicar o espírito deste ensino e triunfar?
Outro aspecto importante é não encarar o estudo do Gosho como uma aquisição de conhecimentos de fora para dentro. Dessa forma, nunca poderá sentir o Gosho como parte de si. Ao contrário, o estudo do Gosho é despertar algo que está dentro de nós e que, portanto, não será necessário memorizar ou recordar, pois nos pertence.
Uma vez que termine a reunião, porque não voltar a ler as frases de ouro a cada semana, depois de fazer daimoku, até sentir a emoção de haver extraído todo seu significado?
O processo de incorporar o Gosho à vida diária e fazer dele a base de nossos atos, é tão árduo e longo, como a vida de todo devoto. De modo que estudemos com perseverança e assiduidade este ano e todos os anos vindouros...

Fonte: Argentina Seikyo (01 de fevereiro de 1992) enviado originalmente em espanhol por SELVIS STOCEL s3234@yahoo.com Panamá
Tradução: Cristina De Gregório Grimaldi Muniz (cristinagrimaldi@uol.com.br)
Revisão: Rita de Cássia Ribeiro mailto:ricasri@hotmail.com )

Postado por BELAS HISTORIAS BUDISTAS

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Abertura dos olhos

Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 220
BS - 27 DE JUNHO DE 2009 — EDIÇÃO Nº 1993
[De acordo com as palavras de Chang-an,]:

“Se a pessoa não tem a benevolência de corrigir o erro de sua amiga, na verdade, ela está agindo como sua inimiga”.


Resumo e cenário histórico


Este tratado é um dos cinco mais importantes de Nitiren Daishonin, no qual ele revela sua verdadeira identidade como Buda dos Últimos Dias da Lei possuidor das três virtudes de soberano, mestre e pais. Em fevereiro de 1272, logo no início do seu exílio na Ilha de Sado, vivendo sob severas circunstâncias, Daishonin concluiu este tratado em dois volumes e endereçou-o a Shijo Kingo, um dos seus principais discípulos em Kamakura.

Nitiren Daishonin experimentou uma série de adversidades na inóspita Ilha de Sado; a condição precária de sua cabana não o protegia do vento nem da neve; faltava-lhe alimentos, roupas e materiais para escrita. Além de seu sofrimento físico, ele ficou profundamente abalado ao saber que vários de seus seguidores de Kamakura haviam abandonado a fé. Sentindo que a morte constantemente o ameaçava, Daishonin redigiu este tratado com o propósito de encorajar seus discípulos como se fosse seu último desejo e testamento.

O título “Abertura dos olhos” significa capacitar as pessoas a enxergar a verdade; em outras palavras, libertá-las das ilusões e das visões distorcidas e despertá-las para que compreendam o correto ensino e seu correto mestre.


Explanação


A benevolência é a essência do budismo; ela expressa a condição iluminada do buda e é a base da ação do bodhisattva. Em outras palavras, a benevolência consiste em plantar a “semente do estado de Buda” na vida das pessoas, ou seja, vai além da atitude de preocupar-se simplesmente com o bem-estar delas. Um outro aspecto dessa benevolência é o de refutar rigorosamente as calúnias à Lei, pois não se consegue compreender o princípio de “atingir o estado de Buda nesta existência” enquanto o seu coração estiver encoberto pela escuridão da ilusão e descrença que as levam a denegrir o ensino correto.

No Sutra de Lótus, a benevolência abarca “o amor e a rigorosidade”, ou seja, ele revela de maneira clara e precisa o verdadeiro meio para que todos atinjam o estado de Buda, mostrando também a rigorosidade com relação à Lei.

A presente frase de “Abertura dos olhos” denota o espírito primordial da prática do Chakubuku que é a máxima benevolência. O ideal de ensinar o budismo a outra pessoa é despertá-la da escuridão da ignorância ou ilusão que destrói seu próprio interior, libertando-a de seu sofrimento fundamental e conduzindo-a para o caminho da felicidade absoluta.

De acordo com os ensinos budistas, quando se comete um mal e não se faz nada para corrigir isso, deixando prevalecer a mentira e a presunção como algo normal, sem que ninguém proclame a verdade, no final, tal atitude conduzirá à decadência moral e espiritual. Em outras palavras, sem uma base espiritual sólida, como a que oferece os ensinos de Nitiren Daishonin, uma religião verdadeiramente humanística, a estrutura da sociedade irá desintegrar-se cada vez mais. (Terceira Civilização, edição no 456, agosto de 2006, pág. 51.)

Na Nova Revolução Humana, consta: “O que eu quero solicitar ao senhor é o seguinte: enquanto estiver residindo na Itália, procure criar mesmo que seja um único companheiro e plante as sementes para o bem do futuro do Kossen-rufu. Eu digo isso porque deste ato inicia-se todo o nosso movimento. O maior feito de um homem é criar e deixar um outro que dá seguimento ao seu empreendimento. Quando uma semente germina, ela poderá produzir outras sementes e isto ocorrerá sucessivamente. Tudo se inicia por uma única pessoa. Esta é a importância de prezar as pessoas, um fator essencial para o desenvolvimento do Kossen-rufu”. (Vol. 5, pág. 79.)

Em outro trecho dessa obra, consta: “De qualquer modo, a propagação religiosa inicia-se pela amizade. É respeitando as pessoas que se pode desenvolver o verdadeiro diálogo”. (Ibidem, pág. 84.)

De toda a forma, ensinar o budismo a outra pessoa nos possibilita forjar um estado de vida tão indestrutível como um diamante. Em outro trecho desse mesmo escrito, Daishonin cita uma passagem do Sutra do Nirvana para esclarecer que o benefício da prática do Chakubuku é a conquista de um “corpo de diamante”.

(As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 215.)

Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 220
BS - 27 DE JUNHO DE 2009 — EDIÇÃO Nº 1993

Sobre a oração

Talvez alguém questione por que os resultados desses juramentos demoraram tanto para se evidenciar. Não obstante, mesmo que alguém errasse ao apontar para o chão, mesmo que alguém unisse os céus, que o fluxo e o refluxo da maré cessassem e que o sol nascesse no oeste, jamais aconteceria de as orações do devoto do Sutra de Lótus não serem respondidas.

Resumo e cenário histórico

Esta carta foi escrita por Nitiren Daishonin no nono ano de Bun’ei (1272) durante seu exílio na Ilha de Sado. Acredita-se que essa carta tenha sido endereçada a Sairen-bo, discípulo de Daishonin e ex-reverendo do templo da Montanha (Jikaku) da escola Tendai, que nessa época também estava exilado na Ilha de Sado.

Neste escrito, Daishonin faz distinção entre a eficácia das orações fundamentadas no Sutra de Lótus e aquelas baseadas nos ensinos errôneos das escolas que prevaleciam no Japão daquela época.

Daishonin elucida que todos os budas, bodhisattvas, as pessoas dos dois veículos e os seres humanos e celestiais que estavam presentes na assembléia do Sutra de Lótus nutrem um grande sentimento de gratidão por terem atingido o estado de Buda por meio deste sutra. E, para retribuir a essa dívida de gratidão, certamente protegerão aqueles que mantêm este sutra. É por essa razão que as orações baseadas no Sutra de Lótus são verdadeiras e serão infalivelmente respondidas.

Em outras palavras, quando recitamos a Lei Mística — o Nam-myoho-rengue-kyo — ativamos as forças do Universo ao nosso favor. O ritmo do Nam-myoho-rengue-kyo é o ritmo do próprio Universo.

Na célebre frase deste escrito, Nitiren Daishonin declara a sua inabalável convicção de que as orações fundamentadas no Sutra de Lótus, isto é, a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, serão infalivelmente atendidas. Citando uma incrível analogia com fatos da natureza absolutamente impossíveis, tais como errar ao apontar o chão, de o sol nascer no oeste, ou deixar de acontecer o fluxo e refluxo da maré, Daishonin afirma que as orações de quem recita o Daimoku são respondidas infalivelmente.

Comumente, ao se praticar o budismo, há questionamentos de diversas naturezas e de diferentes pessoas quanto à eficácia de suas orações. Todavia, Daishonin mostra claramente que não se deve criar a dúvida mesmo que aparentemente os benefícios estejam demorando para se manifestar. Devemos continuar orando com a certeza de que a resposta virá sem falta.

Entretanto, um ponto importante a observar é em relação à correta atitude de nossas orações. O que define o resultado está no espírito e na determinação com que estamos orando diante do Gohonzon. A oração deve ser específica e concreta, pois uma atitude vaga e dispersa seria como atirar uma flecha sem mirar o alvo. Portanto, devemos orar com uma forte determinação de concretizar sem falta o objetivo lançado. O pensamento passivo de que “se eu orar, tudo ocorrerá bem” demonstra apenas um desejo. Por outro lado, uma fervorosa oração manifestando os sentimentos mais sinceros, do fundo do coração e com toda a nossa vida será infalivelmente “comunicada” ao Gohonzon.

Outro ponto importante é que, à medida que o foco de nossas orações se expande, não apenas para os nossos próprios desejos como também pela felicidade de nossos amigos, de nossa família, da sociedade e de toda a humanidade, nossos horizontes também irão se expandir tanto quanto a grandeza como seres humanos.

O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, nos orienta da seguinte maneira: “Vocês podem orar por qualquer coisa que acreditam que contribuirá para sua felicidade e para a dos outros. Por exemplo, podem orar para se desenvolverem ou para tornarem-se certo tipo de pessoa. Basicamente, podem orar por qualquer coisa que desejarem. No entanto, recomendo-lhes que jamais orem por coisas negativas. Se orarem por algo que prejudicará seu progresso, ou o de outras pessoas, somente causará um efeito negativo em sua vida. Essa atitude vai contra o ritmo fundamental da vida. A chave para que nossas orações sejam respondidas é estar em ritmo com o Universo”. (Brasil Seikyo, edição no 1.516, 24 de julho de 1999, pág. 3.)

Em outro trecho desta mesma carta, Nitiren Daishonin afirma que “Por esse motivo, sabemos que as orações oferecidas por um praticante do Sutra de Lótus serão respondidas assim como o eco responde a um som, como a sombra segue uma forma, como o reflexo da lua aparece na água límpida, como o espelho acumula gotas de orvalho (1), como o ímã atrai o ferro, como o âmbar atrai partículas de pó ou como o espelho limpo reflete a cor de um objeto”.
(END, vol. 5, pág. 124.)

O poder do Buda e o poder da Lei contidos no Gohonzon manifestam sua força de acordo com o poder da fé e do poder da prática manifestados por nós próprios. Portanto, se manifestarmos um poder da fé e um poder da prática equivalente a cem, mil ou dez mil, então seremos capazes de manifestar o poder do Buda e o poder da Lei na mesma proporção.

O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, costumava utilizar a analogia da intensidade do som gerado pelo sino quando o tocamos com diferentes tamanhos de materiais, tais como um palito de dente, um palito de comer arroz japonês ou um batedor de sino adequado. O sino é o mesmo em todos os casos, porém, a intensidade do som depende da força com que acionamos o mesmo. O mesmo ocorre com relação ao Gohonzon. O tamanho dos benefícios depende inteiramente do nosso poder da fé e do poder da prática. Enfim, quando as nossas orações ao Gohonzon são repletas de fé e determinação, podemos alcançar sem falta os resultados .


(Brasil Seikyo, edição nº 1980, 28/03/2009, página B1.)

O Devoto do Sutra de Lótus encontrará perseguição

(Hokke Gyoja Honan-ji, págs. 965 a 967)

Para Kawanobe e sua gente, o Sacerdote Yamoto Ajari e outros, e todos os meus discípulos e meus seguidores Saburo Zaemon-no-jo e Toki. Respeitosamente, Nitiren.
Pós-escrito: Nagarjuna e Vasubandhu foram, ambos, eruditos de mil obras. Contudo, eles expuseram somente os ensinos Mahayana provisórios. Embora entendessem (o significado de) o Sutra de Lótus em seus corações, eles não o declararam em palavras. (Existe uma transmissão oral referente a isto). Tientai e Dengyo chegaram até a expô-lo, mas deixaram sem revelar o objeto de adoração do ensino essencial, os quatro Bodhisattva, o supremo santuário e os cinco caracteres do Nam-myoho-rengue-kyo. As razões dele foram, primeiro, porque o Buda não havia transferido o ensino a nenhum deles, e, segundo, porque o tempo não era oportuno e a capacidade das pessoas ainda não havia amadurecido. Agora chegou o tempo e os quatro Bodhisattvas com certeza farão o seu advento. Eu, Nitiren, fui o primeiro a compreender isto.
Afirma-se que o vôo de um pássaro azul anuncia a aparição da Rainha do Oeste, e que o conto de uma pega prediz a chegada de uma visita. Da mesma maneira, há presságios que prenunciam o advento dos quatro Bodhisattvas). Todos aqueles que se consideram meus discípulos devem saber que agora é o tempo para os outros Bodhisattvas aparecerem. Portanto, mesmo que isso possa lhes custar suas vidas, jamais devem abandonar sua fé.
Toki, Saburo Zaemon-no-jo, Kawanobe, Yamamoto Ajari e o restante dos senhores, cavalheiros e sacerdotes, devem ler esta carta uns para os outros e prestar atenção. Nessa era impura, devem sempre conversar juntos e jamais devem parar de orar pela sua próxima vida.
O quarto volume do Sutra de Lótus declara: "Como o ódio e a inveja (com relação a este sutra) abundam mesmo durante a existência do Buda, muito piores serão no mundo após a sua morte!" O quinto volume diz: "As pessoas nutrirão rancor (contra o Sutra de Lótus) e acharão extremamente difícil acreditar". O trigésimo oitavo volume do Sutra Nirvana afirma: "Naquele tempo havia um número incontável de brâmanes que conspiraram em conjunto e foram em massa até o rei Ajatashatru de Magadha dizendo: Atualmente existe um homem de perversidade incomparável, um monge chamado Gautama.
Oh! Rei, Vossa Majestade nunca o examinou e isto foi despertar muito medo em nós. Todas as espécies de pessoas más, esperando obter lucros e donativos, ocorreram a ele aos bandos e tornaram-se seus seguidores. (Eles não praticam a bondade. Ao invés disso, usam o poder de encantos e magias para convencer homens como) Mahakashyapa, Shariputra e Mandgalyayana. Isto ilustra bem o significado da passagem: "Como o ódio e a inveja abundam mesmo durante a existência do Buda…"
O monge de grande virtude Tokuiti insultou o grande Mestre Tientai Chihche, dizendo: "Olhe aqui, Chih-I, discípulo dequem você é? Com uma língua menor que sete centímetros de comprimento, você calunia os ensinos que vem da língua longa e ampla do buda ?" Tokuiti também afirmou: "Com certeza, ele (Tientai) deve ser perverso e insano". Mais de trezentos sacerdotes, incluindo os prelados de alta categoria dos sete principais templo de Nara como o Supervisor de Monges Gomyo e o Mestre de Disciplina Keishin, atuaram insultos ao Grande Mestre Dengyo, dizendo: "Assim como na terra da Hsia do oeste na época central houve um brâmane mau chamado Eloquência Demoníaca que enganava as pessoas, agora, neste reino leste do Japão há um monge de cabeça raspada que cospe palavras astutas. Demônios como esse atrairão para si aqueles que têm mentes semelhantes e enganarão e desencaminharão o mundo".
Contudo, Dengyo em seu "Hokke Shuku": "Sakyamuni ensinou que o superficial é fácil de abraçar, mas o profundo é difícil. Abandonar o superficial e buscar o profundo requer coragem. O Grande Mestre Tientai confiou no Buda Sakyamuni, obedeceu-lhes e trabalhou para sustentar a escola Hokke (Lótus), propaando os seus ensinos por toda a China. Nós, do Monte Hiei herdamos a doutrina de Tientai e labutamos para manter a escola Hokke e para disseminar seus ensinos por todo o Japão."
Durante a existência toda do Buda assim como nos dois mil anos dos Primeiros e Médios Dias da Lei que se seguiram à sua morte, houve somente devotos do Sutra de Lótus. Eles foram o próprio Buda Sakyamuni, Tientai e Dengyo. Em contraste, Shan-wu-wei e Pu-kung da escola Shingon, Tu-shun e Chih-yen da escola Kegon, e os mestres da escola Sanron e Hosso, todos, interpretaram as sentenças do Sutra do verdadeiro ensino de uma forma que estas concordassem com o significado dos Sutras provisórios. Eruditos como Nagarjuna e Vasubandhu compreenderam internamente (o significado de) o Sutra de Lótus, mas não o expressaram em palavras externamente. Nem mesmo as quatro categorias de santos. Nos Primeiros Dias da Lei poderiam se comparar com Tientai e Dengyo em se tratando de propagar o Sutra de Lótus conforme o mesmo ensina.
Se a predição do Sutra for verdadeira, deve existir um devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei, e as imensas dificuldades que ele encontrará excederão àquelas que ocorreram durante a vida do Buda. O próprio Buda experimentou nove grandes provações. Ele foi caluniado por Sundari; ofereceram-lhe papa de arroz fétida; foi forçado a comer forragem de cavalo; o Rei Virudhaka massacrou a maior parte do clã Sakya; foi esmolar, mas sua tigela permaneceu vazia; Chinchomanavika caluniou-o; Devadatta empurrou uma enorme pedra no alto de um morro (numa tentativa de matá-lo); e o vento frio obrigou-o a buscar mantos para se proteger. E, além disso, ele foi denunciado por todos os brâmanes, conforme mencionei anteriormente. Se considerarmos a predição no Sutra (de que o ódio e a inveja serão 'muito piores' após a morte do Buda), então Tientai e Dengyo não cumpriram a profecia do Buda. Em vista de tudo isso, deve aparecer no início dos Últimos Dias da Lei assim como o Buda predisse.
De qualquer modo, no dia 7 de dezembro de 1273, uma corte de Hojo Tokiyori, o ex-governador da província de Musashi, alcançou a província de Sado. A missiva à qual ele apôs seu selo, diz: Ouvimos um boato de que Nitiren, o sacerdote exilado em Sado, está liderando seus discípulos na maquinação de alguns atos nocivos. Seu estratagema é totalmente ultrajante. A partir de agora, aqueles que seguirem sacerdotes serão severamente punidos. Se houver quem, mesmo assim, viole essa proibição, seus nomes deverão ser informados. Esta é uma ordem oficial.
Sacerdote Kan'e Em 7 de dezembro de 1273.
A Eti-ro Rokuro Zaemon-no-jo.
Essa carta afirma que eu "maquinando alguns atos nocivos". Os brâmanes caluniaram o Buda, dizendo que Gautama era um homem mau. Eu, Nitiren, sofri pessoalmente cada uma das nove grandes provações. Entre elas, o massacre a que Virudhaka submeteu o clã Sakya, ir pedir donativos e ser deixado com um tigela vazia, e ser forçado a procurar mantos como proteção contra o vento frio. Foram grandes testes que superaram em muito aqueles que ocorreram durante a existência do Buda. Esses são sofrimentos que Tientai e Dengyo jamais enfrentaram. Os senhores realmente devem saber que, somando Nitiren aos, há agora um quarto devoto do Sutra de Lótus, que surgiu nos Últimos Dias da Lei. Quão feliz estou por cumprir as palavras da profecia do Sutra: "Muito piores serão no mundo após a sua morte!" Quão triste eu me sinto pelo fato de que todas as pessoas deste país cairão no inferno Aviti! Não entrarei em detalhes aqui, ou esta carta se tornará muito complicada. Devem considerá-la por si próprios. Nitiren
Em 14 de janeiro de 1274.
Todos os meus discípulos e seguidores devem ler e ouvir esta carta. Aqueles que são diligentes devem discutí-la entre si.


Fundo de Cena

Nitiren Daishonin escreveu esta carta para todos os seus discípulos sacerdotes e seguidores leigos, incluindo Toki Jonin, Shijo Kingo, Kawanobe e Yamato Ajari, no dia 14 de janeiro de 1274. Embora um mês mais tarde o governo viesse a decretar o seu perdão, nessa ocasião Nitiren Daishonin ainda estava sendo tratado como um criminoso, um fato evidente a partir das ordens promulgadas por Hojo Tokiyori citados neste gosho. (As mesmas também são mencionadas no Gosho "O Comportamento do Buda"). A hostilidade das autoridades, somadas as dificuldades como o frio e a fome, tornavam a sobrevivência de Nitiren Daishonin deveras precária.
Nesta carta, ele salienta a seus discípulos que mantenham firmemente a fé, mesmo sob o risco de suas vidas. Ele também declara que é o verdadeiro devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. O Sutra de Lótus afirma: "Como o ódio e a inveja com relação a este Sutra abundam mesmo durante a existência do buda, muito piores serão no tempo após a morte!" Nitiren Daishonin indica que somente ele, de acordo com a predição do Buda, experimentou, em prol do Sutra, perseguições maiores do que aquelas enfrentadas pelo Buda Sakyamuni ou pelos Grandes Mestres Tientai e Dengyo.
O Pós-escrito dessa carta, que na realidade aparece em seu início, contém um referência antecipada às grandes Leis Secretas - o objeto de adoração, o supremo santuário e a invocação ou Daimoku do ensino essencial como a doutrina que nem Sakyamuni ou seus sucessores da Índia, China e Japão jamais revelaram. Esses elementos formam o âmago do budismo de Nitiren Daishonin, e parece que ele já os tinha em mente há muito tempo. O Gosho "Desejos Mundanos são Iluminação", datada no mês de maio de 1273, fala de 'assuntos importantes contidos no capítulo Juryo do ensino essencial' e a "Carta a Guijo-bo", datada do mesmo mês, cita 'as grandes Leis Secretas, a incorporação de dos três mil mundos numa existência momentânea da vida, no capítulo Juryo'.
O gosho "O Verdadeiro Objeto de Adoração", concluído em abril de 1273, especifica o Daimoku e o objeto de adoração, declarando: "…eles não colocaram o Nam-myoho-rengue-kyo em prática real nem estabeleceram o verdadeiro objeto de adoração"; um outro gosho, "O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis" datado no mês seguinte, também menciona o Daimoku e o objeto de adoração: "Nitiren, no entanto, foi o primeiro a propagar a Lei Mística confiada ao Bodhisattava Jogyo para ser disseminada nos Últimos Dias da Lei. Nitiren foi também o primeiro a inscrever o Gohonzon…", contudo, Nitiren Daishonin nunca havia se referido especificamente ao supremo santuário até escrever essa carta. Neste sentido, esse Gosho é especialmente importante pois é a primeira escritura remanescente que enumera todas as Grandes Leis Secretas.

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As Profecias do Buda

(Kembutsu Mirai-Ki - Página 505 a 509)

O sétimo volume do Sutra de Lótus diz:
"Durante o último período de 500 anos a após minha morte, o Sutra de Lótus propagar-se-á por todo o mundo e nunca cessará seu fluxo." Eu, por outro lado, lamento: passaram-se aproximadamente 2.220 anos desde o falecimento do Buda, e que mau carma impediu-me de nascer durante os dias do Buda ou ver os quatro santos dos Primeiros Dias da Lei ou, ainda, encontrar-me com Tientai, Dengyo e outros nos Médios Dias da Lei? Por outro lado contente quando penso na boa sorte que me possibilitou nascer no último período de 500 anos e ler este ensino dourado do Buda. Mesmo que tivesse nascido nos dias do Buda, não teria sentido pois aqueles que ouviram os ensinos dos primeiros "quatro sabores" não ouviram até agora o Sutra de Lótus. E, ainda, mesmo que eu tivesse nascido nos Médios Dias da Lei não teria o mínimo significado, pois mesmos os sábios das sete seitas ao norte e três do sul do rio Yangtze, assim como os sábios da Kegon, Shingon e outras seitas, não acreditaram no Sutra de Lótus.Tientai, o Grande, afirmou: "No último período de 500 anos a Lei Mística será propagada e irá até o futuro distante oferecendo à humanidade abundantes benefícios." Não estava ele se referindo ao tempo do Kossen-rufu? Dengyo, o Grande, declarou: "Os Primeiros e Médios Dias estão quase passando e os Últimos Dias estão muito próximos." Suas palavras revelam quanto ele desejou viver no começo dos Últimos Dias da Lei. A comparação dos benefícios nestas três eras revela que ultrapasso Ryuju e Tenjin e ainda, Tientai e Dengyo.Questão: O senhor não é a única pessoa que vive neste período de 500 anos. Por que está particularmente contente com isso?Resposta: O quarto volume do Sutra de Lótus diz: "Desde que o ódio e a inveja eram abundantes durante a existência do Buda, quão pior será no mundo após seu falecimento?" A respeito disso, Tientai, o Grande, disse: "Será muito pior no futuro porque o Sutra de Lótus é muito difícil de ser ensinado." Miao-lo, o Grande, disse: "O Sutra de Lótus é difícil de ser ensinado - significa a dificuldade de ensinar o sutra às pessoas de tal modo que elas possam compreender." O bonzo Tido disse: "Um provérbio secular diz que o bom remédio é sempre amargo. De maneira semelhante, este sutra destroi a ligação aos cinco veículos e admite somente o Supremo Veículo, rejeita os mortais comuns como os santos que seguem os ensinos provisórios, e rejeita o Himayana... como o Mahayana... Todas as pessoas que são repudiadas perseguem os crentes do Sutra de Lótus." Dengyo, o Grande, proclamou: "Falando do tempo, é o fim dos Médios Dias da Lei e o começo dos Últimos Dias da Lei. Quanto ao lugar, é uma terra localizada ao Leste de T'ang e ao oeste de Katsu. A respeito de seus habitantes, são pessoas manchadas pelas cinco impurezas numa época de conflitos. Uma passagem do sutra diz: Desde que o ódio e a inveja eram abundantes mesmo durante a existência do Buda, quão pior será o mundo após seu falecimento?" Estas palavras têm sido justificadas." Dengyo escreveu como se estivesse falando a respeito de seus próprios dias, mas na realidade, estava descrevendo a presente era. É isto que dá significado tão profundo às suas palavras: "Os Primeiros e Médios Dias estão passando e os Últimos Dias estão muito próximos.Ö sutra diz em parte: "Os demônios e as pessoas sob seus controles, os espíritos dos céus e do mar, os demônios horríveis, os demônios que consomem a vitalidade humana e os outros perpetrarão o mal através destas perseguições. "Em uma outra parte do sutra, os nomes dos outros demônios aparecem: "Demônios horríveis, demônios espertos, demônios vermelhos, alaranjados, negros, azuis e etc." O sutra está dizendo que as pessoas, que em existências prévias abraçaram os ensinos provisórios, o Bramanismo ou as doutrina do homem e do céu, nascem nesta existência como demônios, espíritos celestes e seres humanos, que perseguem o devoto do verdadeiro ensino quando o vêm ou o servem.Questão: Comparando os Primeiros e Médios Dias com os últimos Dias da Lei, parece-me que as duas eras anteriores brilham muito mais do que a dos Últimos Dias; as épocas eram boas e as pessoas muito mais devotadas. Por que o sutra rejeita aquelas épocas e fala somente a respeito da presente era?Resposta: É difícil sondar a mente do Buda. Sem dúvida, mesmo eu sou incapaz de fazer isso. Mas, se olhamos os sutras Hinayana, por exemplo, podemos compreender mais claramente. Durante o milênio dos Primeiro Dias da Lei, os sutras Hinayana podiam oferecer todos os três - ensino, prática e prova. No milênio seguinte dos Médios Dias da Lei, o ensino e a prática foram continuadas, mas não mais havia qualquer prova real. Agora nos Últimos Dias da Lei, o ensino permanece, mas não há nem prática nem prova.Procurei entre o soberano e seus súditos, entre todos os bonzos e freiras, todos os leigos e leigas, por alguém que tivesse cumprido as predições do Buda à luz destes ensinos. Tenho feito isso para provar a verdade de suas palavras, mas, à parte de Nitiren, não posso encontrar nenhuma pessoa assim. Certamente estamos agora no começo dos Últimos Dias da Lei, mas, se Nitiren não tivesse aparecido, as predições do Buda tornar-se-iam falsas.Questão: Dizendo assim o senhor não está sendo um bonzo extremamente presunçoso - ainda mais presunçoso do que Daiten ou Shizen. Não é assim?Resposta: Caluniar Nitiren é um pecado ainda mais grave do que os pecados cometidos por Devadatta e Muku-ronshi. Posso parecer arrogante, mas meu único propósito é cumprir as predições do Buda e revelar a verdade de seus ensinos. Há alguém, além de Nitiren, entre os japoneses, que posso ser chamado de devoto do Sutra de Lótus? Acusando Nitiren, o senhor fará as profecias do Buda tornarem-se somente mentiras. Isso não torna o senhor uma pessoa de grande mal?Questão: Certamente o senhor cumpriu a predição do Buda sobre o devoto do Sutra de Lótus, mas não há outros devotos do Sutra de Lótus talvez na Índia ou China?Resposta: Pode haver somente um sol nos céus. Pode haver mais de um soberano a governar a terra?Questão: Que prova o senhor tem?Resposta: A lua aparece no oeste e espalha sua luz em direção ao leste. O sol surge no leste e lança seus raios ao oeste. O mesmo é verdadeiro como Budismo. Ele se espalhou do oeste ao leste nos Primeiros e Médios Dias da Lei, mas viajará do leste ao oeste nos Últimos Dias da Lei.Miao-lo, o Grande, disse: "O Budismo foi perdido na Índia, e estão procurando-o fora." Assim, não há mais Budismo na Índia.Há cento e cincoenta anos na China, durante o reinado do Imperador Kao Tsung, os bárbaros do norte invadiram Tongking e puseram um fim ao que de pouco foi deixado lá tanto do Budismo como da ordem política. Agora não resta nem um único sutra Hinayana na China; além disso, a maioria dos sutras Mahayana foi perdida. Mesmo quando Jakusho e outros bonzos foram do Japão para levarem alguns sutras para a China, não havia ninguém lá a quem estes sutras pudessem ser ensinados. Seus esforços foram tão sem sentido como se tentassem ensinar o Budismo a estátuas de madeira ou pedra vestidos com roupas de bonzos e segurando tigelas de mendicância.É por isso que Junshiki disse: "O Budismo foi primeiro transmitido ao oeste, tal como a lua aparece primeiro no oeste. Agora o Budismo retorna ao leste como o sol surgindo no leste." As palavras de Miao-lo e Junshiki tornam claro que o Budismo foi perdido tanto na Índia como na China.Questão: Agora posso ver que não há Budismo na Índia ou na China. Como, todavia, pode o senhor estar certo de que o Budismo morreu nos continentes orientais, ocidentais e setentrionais do mundo?Resposta: O oitavo volume do Sutra de Lótus diz: "Após o falecimento do Buda, propagarei o Sutra de Lótus dentro do continente meridional inteiro e nunca o permitirei perecer." A palavra "dentro" indica que os três outros continentes foram excluídos.Questão: O senhor cumpriu a profecia do Buda; agora, o que o senhor próprio prediz?Resposta: Não pode haver dúvidas de que o último período de 500 anos já começou como profetizado pelo Buda. Digo que, sem falha, o Budismo surgirá e fluirá do leste, da terra do Japão. Ocorrendo presságios na forma de calamidades naturais de uma magnitude maiores do que as já testemunhas nos Primeiros ou Médios Dias da Lei. Quando o Buda nasceu, girou a roda da doutrina, e também quando entrou no Nirvana, os presságios foram maiores do que quaisquer já observados, tanto os auspiciosos como os sinistros. O Buda é o mestre de todos os santos. Os sutras descrevem como, ao nascimento do Buda, cinco cores de luz preencheram o ar, brilhando muito em todas as direções, e a noite tornou-se tão clara quanto o meio-dia. Na morte do Buda, doze arcos brancos cruzaram o céu no norte ao sul, a luz do sol foi extinguida, e o dia tornou-se tão escuro quanto à meia noite. Seguiram-se os doze mil anos dos Primeiros e Médios Dias da Lei; santos nasceram e santos morreram, budistas e outros, mas nunca houve qualquer presságios de tamanha magnitude.Do começo do período Shoka até este ano, contudo, tem havido tremendos terremotos e extraordinários fenômenos no céu, exatamente como os sinais que marcaram o nascimento e morte do Buda, indicando-nos que nasceu um santo com a estatura de um Buda. Um grande cometa cruzou o céu, mas para qual soberano ou súdito este presságio veio? A terra tremeu e abriram-se grandes fissuras por três vezes, mas para qual santo ou sábio isto ocorreu? Estes tremendos presságios, claramente, sejam bons ou maus, são de tal gravidade que devem significar algo extraordinário. Sem dúvida, a Grande Lei Pura está surgindo e a Lei Pura está se extinguindo.Tien-tai afirmou: "Pela, fúria da chuva pode-se saber a grandeza do dragão, e pela plenitude da lótus pode-se saber a profundeza da água." Miao-lo disse: "O sábio pode ver os presságios e o que estes predizem tal como a cobra sabe seu próprio caminho."Há vinte e um anos, eu, Nitiren, compreendi o que estava para vir. Desde então tenho sofrido perseguição dia após dia e mês após mês. Durante os últimos dois ou três anos quase fui morto. As possibilidades de que eu sobreviva neste ano ou mesmo neste mês são uma em dez mil. Se houver alguém que questione, peçam aos meus discípulos por explanação detalhadas. Quão prazeroso é em uma existência poder expiar os pecados de caluniar desde o eterno passado! Quão afortunado é ser capaz de servir ao Buda, Qua nunca foi conhecido até agora! Antes de qualquer um, oro para que possa conduzir à verdade e os outros que me perseguiram. Contarei ao Buda Sakyamuni sobre todos os meus discípulos Que me ajudaram. Antes de morrer, desejo também passar os grandes benefícios desta fé aos meus pais que me deram nascimento.Como se num sonho, compreendi o significado do Capítulo 'Hoto' do Sutra de Lótus que diz: "Lançar o Monte Sumeru às incontáveis terras dos Budas não seria impossível. Mas, propagar este sutra no mundo repleto de maldade após o falecimento do Buda será extremamente difícil." Dengyo, o Grande, proclamou: "Sakyamuni ensinou que o superficial é fácil de abraçar, mas que o profundo é difícil. Abandonar o superficial e procurar o profundo requer coragem. Tien-tai, o Grande, praticou verdadeiramente os ensinos de Sakyaminu e propagou a fé no Sutra de Lótus na China. Dengyo e seus seguidores herdaram a doutrina de Tien-tai e disseminaram-na por todo o Japão."Nascido na província de Awa, Nitiren tornou-se o herdeiro direto desses três mestres budistas e propagou o Sutra de Lótus nos últimos Dias da Lei. Juntos devem ser chamados de "os quatro mestres do Budismo nos três países."Nam-myoho-rengue-kyo, Nan-myoho-rengue-kyo.
Em 11 de maio de 1273.
NITIREN

FUNDO DE CENA

Nitiren Daishonin escreveu este Gosho em 11 de maio de 1273 enquanto em exílio na Ilha de Sado. A ilha era tão desolada que dificilmente poderia provê-lo das necessidades da vida. Não obstante, Nitiren Daishonin estava totalmente esquecido das suas próprias dificuldades e devotou todas as suas energias para deixar sua filosofia-de-vida para toda a humanidade e assim, encorajar seus discípulos em sua fé.Com confiança e coragem, Daishonin defrontou bravamente as perseguições que Sakyamuni havia que ocorreria ao devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. Tendo cumprido todas as predições de Sakyamuni, Daishonin identificou-se como o devoto. Embora este século agora nos separe de Daishonin, sua compaixão em salvar a humanidade e o significado da sua grande profecia está se tornando cada vez mais ampla e profunda com o passar dos tempos.Quando Nitiren Daishonin expôs pela primeira vez a verdade última no Sutra de Lótus, ninguém o acreditou; além disso, caíram perseguições sobre ele uma após outra exatamente como o Buda Sakyamuni havia profetizado no Sutra de Lótus. As perseguições que o atacaram foram tão severas que sua vida estava continuamente em risco. Todavia, ele sabia que ninguém mais poderia estabelecer a validade do Sutra de Lótus. Ele sozinho estava tão devotado à causa do sutra que as perseguições, não importando quão grandes, não tinham nenhum efeito a ele.O título "A Profecia do Buda" tem dois significados: um é a predição do Buda Sakyamuni de que o devoto do Sutra de Lótus aparecerá no início do Últimos Dias da Lei para propagar a crença no sutra a despeito de grandes perseguições. Foi Nitiren Daishonin quem cumpriu esta profecia.O significado mais profundo deste título envolve a própria profecia de Nitiren Daishinin que, nos Últimos Dias da Lei, durando até o eterno futuro, o Verdadeiro Budismo será propagado por todo o mundo para beneficiar a humanidade. Portanto, o Sutra de Lótus que Sakyamuni profetizou que deveria se propagar no começo dos últimos Dias da Lei indica a Grande Lei Pura, o Nam-myoho-rengue-kyo. O devoto do Sutra de Lótus que Sakyamuni profetizou que deveria aparecer para expor este ensino significa Nitiren Daishonin, o Buda Original que pode mostrar à humanidade o caminho da salvação.Quando estudamos este Gosho, devemos compreender que temos de viver cada uma das palavras de Nitiren Daishonin afim de cumprir sua predição. Nitiren Daishonin enfrentou com bravura suas perseguições e estabeleceu o verdadeiro objeto de adoração. Ele simplesmente desejou incentivar seus futuros discípulos a propagarem a fé no Gohonzon por todo o mundo. Agora é o exato tempo para assim fazermos.No Gosho é citada a explanação de Tien-tai sobre o Sutra de Lótus que "cada palavra é o próprio Buda Original." Daishonin tomou esta frase de coração e procurou o significado de cada caráter no Sutra de Lótus para determinar seu significado em relação a si próprio. E com sua resoluta prática da fé, demonstrou a verdade a cada palavra. Foi por causa já valorosa luta de Nitiren Daishonin que o Sutra de Lótus, que estava ameaçado de ser despojado do seu significado por interpretações formalísticas, renasceu como uma grande fênix e tornou a viver valiosamente. Devemos nos aproximar do Gosho que é o ensino para esta era do mesmo modo que Nitiren Daishonin se aproximou do Sutra de Lótus."A Profecia do Buda" pode ser dividido em sete seções: Nitiren Daishonin (1) esclarece a profecia de Sakyamuni;(2) torna claro que há perseguições nos Últimos Dias da Lei; (3) proclama que o Verdadeiro Budismo deve ser propagado ao mundo nos Últimos Dias da Lei; (4) Identifica-se como Buda Original que aparecia nos Últimos Dias da Lei; (5) mostra a não existência do Budismo tanto na Índia como na China; (6) explana como o Verdadeiro Budismo será propagado por todo o mundo nos Últimos Dias da Lei.Nitiren Daishonin primeiramente menciona a profecia de Sakyamuni de que o Sutra de Lótus será propagado por todo o mundo nos Últimos Dias da Lei. Embora lamente que não nasceu durante a vida do Buda, ou nos Primeiro e Médios Dias da Lei, Daishonin ao mesmo tempo alegra-se por Ter nascido nos Últimos Dias da Lei. Tien-tai e Miao-lo que apareceram nos Médios Dias quiseram viver nos Últimos Dias quando surge o Verdadeiro Budismo para dar grandes benefícios a toda a humanidade. Aos olhos do Budismo, Nitiren Daishonin tinha a boa sorte incomparavelmente maior do que Tien-tai e Dengyo.Na Segunda seção, Nitiren Daishonin substancia as razões das perseguições que cairiam ao devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. Todos os santos budistas, inclusive Sakyamuni, juntaram-se para dar testemunho ao fato de que a maior de todas as perseguições atacaria o devoto dessa época.Nitiren Daishonin devota as três seções para provar que o Gohonzon (o verdadeiro objeto de adoração)O ganhará a fé das pessoas em todo o mundo nos Últimos Dias da Lei. As pessoas nesta época perderam o espírito do Budismo de Sakyamuni porque estão tão cheias de impurezas que o distorceram irrevogavelmente. Alheio a isto, contudo, as pessoas ainda apoiam-se em vários ensinos de Sakyamuni e mostram hostilidade para o Budismo de Daishonin. A hostilidade e a calúnia contra o Verdadeiro Budismo criadas pela confusão a respeito do Budismo em geral são marcos claros dos Últimos Dias. Foi para restaurar o humanismo e paz nesta época que Nitiren Daishionin consagrou sua vida para fundar e propagar o Verdadeiro Budismo.Na Quarta seção, citando várias frases do Sutra de Lótus, Nitiren Daishonin revela que ele é o verdadeiro devoto do Sutra de Lótus que Sakyamuni profetizou que apareceria no começo dos Últimos Dias da Lei. Ele mostra como as descrições maiores do que ele para o propósito da propagação do Sutra de Lótus. Com isto, contudo, Daishonin não somente esclarece que é o devoto, mas, mais fundamentalmente , revela que é o Buda Original estabelecendo a base para o fluxo eterno do Verdadeiro Budismo no futuro.A Quinta seção assinala que o Budismo não mais é viável tanto na Índia como na China. Tal como o Budismo morreu nesses dois países, o Verdadeiro Budismo de Nitiren Daishoinin surgiu na terra oriental do Japão. O Budismo indiano propagou-se do oeste para o leste, mas agora o Budismo tão brilhante quanto o sol retornará do leste ao oeste.Nitiren Daishonin revela a sua própria profecia na Sexta seção. Anteriormente, ele mencionou as grandes perseguições que cairiam sobre si, mas aqui Daishonin compara os presságios que ocorreram antes da inscrição do Daí-Gohonzon com os que ocorreram nos de Sakyamuni. Quando o Buda Sakyamuni nasceu, quando expôs pela primeira vez a Lei, e quando morreu, apareceram sinais de grande magnitude, mas antes e após o nascimento de Daishonin surgiram presságios de muito maior gravidade, predizendo que um Budismo ainda maior do que o de Sakyamuni estava para surgir.Nitiren Daishonin dedicou a última seção para os seus discípulos. Ele os confiou com a tarefa de propagar o Verdadeiro Budismo por todo o mundo no futuro. Disto devemos compreender que Daishonin enfrentou bravamente todas as perseguições sob o firme desejo de que seus discípulos deveriam viver para a mesma causa e realizarem a propagação mundial do Verdadeiro Budismo.

A Única Frase Essencial

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Explanação do Gosho feitos pelo Departamento de Estudo da SGI-USA.
Tradução não oficial para a língua portuguesa - Teresinha M. Santos, NY


Myoho, a recebedora de "A Única Frase Essencial," havia perguntado a Nitiren Daishonin: "Posso atingir a iluminação apenas recitando Nam-myoho-rengue-kyo?" Numa época em que o Budismo estava mais do que qualquer outra coisa associado a elaborados rituais e doutrinas esotéricas, poderíamos conjeturar o subtexto de sua questão como sendo: "Atingir a iluminação é algo tão simples assim?" "Como pessoas comuns, podemos nós a qualquer momento atingir a iluminação?"
No Japão medieval, para um crente leigo, especialmente uma mulher, perguntar sobre assuntos budistas a um sacerdote poderia ser tomado como falta de respeito à autoridade sacerdotal. Embora sua pergunta tenha sido feita a favor de seu esposo doente, Myoho deve ter-se sentido pouco confortável tendo de escolher entre buscar um entendimento mais aprofundado de sua fé, ou meramente continuar mantendo o seu prescrito lugar na sociedade.
Percebendo isto, Nitiren Daishonin primeiro louva Myoho por seu espírito de busca. Na verdade, o começo da carta é repleto de louvor e apreciação. "É uma rara fonte de boa fortuna para voce inquirir sobre o Sutra de Lótus e indagar seu significado. "Sua ação de questionar sobre o Sutra de Lótus está entre os seis atos difíceis. Isto é uma indicação certa de que se a senhora abraçar o Sutra de Lótus, tornar-se-á um Buda em sua presente forma."
"A senhora perguntou se alguém pode atingir o estado de Buda apenas por recitar Nam-myoho-rengue-kyo, e esta é a mais importante de todas as questões." Daishonin era perspicarzmente cônscio de que conhecimento e entendimento dão origem à confiança e autoconfiante fé, enquanto que a repressão da dúvida que surge naturalmente no decorrer de nossa prática, conduz a fé cega crivada de medo e ansiedade. Por isso, Daishonin encoraja Myoho a desafiar suas dúvidas e a fazer perguntas livremente na pesquisa das verdades Budistas.
Explicando que Nam-myoho-rengue-kyo, sendo a essência do Sutra de Lótus, contém todos os benefícios do Budismo, Daishonin ensina a Myoho - e a todos nós - que quando pessoas comuns como nós recitamos o daimoku com fé em nossa natureza de Buda inata, podemos arremessar a luz da esperança até mesmo dentro do mais escuro canto de nossos corações, como uma lanterna iluminando "um lugar que tem sido escuro por cem, mil ou dez mil anos"; que podemos mudar qualquer coisa que por muito tempo pensamos ser impossível mudar, e desfrutar de felicidade nunca sonhada; que certamente podemos atingir a iluminação quaisquer que sejam as nossas circunstâncias atuais.
"Da mesma forma, incluso dentro do título de Nam-myoho-rengue-kyo, ou daimoku, está o sutra inteiro… o título é para o sutra assim como os olhos são para o Buda."
A simples frase Nam-myoho-rengue-kyo contém a totalidade do Sutra de Lótus, o qual é a culminação dos ensinamentos de Sakyamuni. Usando metáforas e citando outras escrituras, Daishonin explica o porquê disto. Antes desta passagem, ele escreve que o Sutra de Lótus revela nossos corpos, mentes e ações como os dos Budas, e aqueles que abraçam e acreditam em até mesmo uma frase ou verso do Sutra de Lótus podem atingir o estado de Buda.
Embora seja o título do sutra, Nam-myoho-rengue-kyo também contém sua essência. Daishonin compara isto com o caráter essencial das pessoas que pode ser revelado nos seus olhos ou, com uma nação inteira que pode ser expressa no seu nome. Então ele conclui: "Da mesma forma, incluso dentro do título de Nam-myoho-rengue-kyo, ou daimoku, está o sutra inteiro, consistindo de todos os oito volumes, vinte e oito capítulos, e 69.384 caracteres, sem a omissão de um único caractere." Ele apóia sua conclusão com textos de Po Chü-I, um famoso poeta chinês, e de Miao-lo, um erudito da escola T'ien-t'ai, da China.
O Sutra de Lótus ensina o potencial universal para o estado de Buda dentro da vida de todas as pessoas. No segundo capítulo, Sakyamuni declara para seu discípulo: "Sharihotsu, voce deve saber / que no início eu fiz um juramento, / esperando tornar todas as pessoas / iguais a mim, sem nenhuma distinção entre nós"(The Lotus Sutra, Burton Watson, pag.36). Aqui, Sakyamuni indica que todas as pessoas podem elas próprias revelarem-se como Budas. Por esta razão a vida de cada pessoa, não importando como ela ou ele possa aparentar neste momento, é merecedora do maior respeito. Portanto, de acordo com o Sutra de Lótus felicidade reside na auto- realização, e não na procura de benções de uma divindade externa. O que mais interessa é ter fé em nosso verdadeiro potencial, e nossos esforços para externá-lo na sua mais completa proporção.
O potencial de compaixão, sabedoria e coragem de cada pessoa é igual ao de Buda. Como fundador do Budismo, Sakyamuni começou pregando seus profundos ensinamentos depois de ter despertado para o supremo potencial existente em todas as pessoas incluindo ele próprio. Embora o supremo potencial delas possa ainda não ter sido realizado, todas as pessoas merecem nosso mais profundo respeito por possuí-lo. Além disso, os que estão se esforçando para o despertar de seus estados de Buda pela preservação do Sutra de Lótus serão honrados pelos seus nobres esforços. Como injunção final de Sakyamuni no sutra: "Se voce vê uma pessoa que aceita e preserva este sutra, voce deve levantar-se e saudá-la, mostrando-lhe o mesmo respeito que voce deve ter a um Buda"(LS28, 324).
A universalidade do estado de Buda como exposta no Sutra de Lótus está incorporada em Nam-myoho-rengue-kyo, a lei fundamental da vida e do universo. Portanto, Nam-myoho-rengue-kyo é mais do que uma simbólica representação do sutra; é o alicerce sobre o qual o sutra se mantém. Como Daishonin escreve, "Nam-myoho-rengue-kyo não é apenas o âmago dos ensinamento da existência de Sakyamuni, mas também o coração, a essência e o princípio máximo do Sutra de Lótus" ("Isto É o Que Eu Ouvi,"WDN, 860).
" Todas as coisas têm seu ponto essencial, e o coração do Sutra de Lótus é seu título de Nam-myoho-rengue-kyo, ou o daimoku. Realmente, se você o recita pela manhã e à tardinha, você está lendo corretamente o Sutra de Lótus por inteiro…"
A questão que induziu Nitiren Daishonin a escrever esta carta surgiu no meio da atmosfera geral da comunidade Budista cotidiana. Era uma época na qual os sacerdotes Budistas enfatizavam rituais esotéricos e formalidades. As pessoas eram ensinadas que a prática Budista apropriada incluía copiar sutras ou atender aos serviços de preces, ou ouvir os sermões de um eminente sacerdote, de forma que tais rituais e formalidades tornaram-se uma norma. Por conseguinte, experiência religiosa em Budismo era vista como algo que requeria a mediação de sacerdotes. Budismo tornou-se algo que as pessoas comuns assistiam autoridades praticar, e não algo que elas próprias experimentassem diretamente. Num clima espiritual como este, era bem natural que Myoho estranhasse se a própria pessoa recitando Nam-myoho-rengue-kyo seria o suficiente.
Sakyamuni viajou de cidade em cidade para partilhar seus ensinamentos com as pessoas, escravas ou reis igualmente. Muitos séculos depois, porém, seus ensinamentos tornaram-se propriedade exclusiva dos sacerdotes. Pelo tempo em que o Budismo floresceu no Japão medieval, os ensinamentos de Sakyamuni haviam se transformado em mero ornamento espiritual, um símbolo de status da classe dominante. Cercado destas condições, Daishonin revelou a jóia de todos os ensinamentos Budistas. Estava escondida no Sutra de Lótus como Nam-myoho-rengue-kyo, e ele ensinou a prática de recitar esta frase para felicidade de si próprio e dos outros. Este ensinamento e sua prática eram simples e acessíveis para as pessoas comuns, cuja maioria era analfabeta e não poderia nem copiar nem recitar os sutras escritos em clássico chinês.
Mas, isto não é muito simples apenas recitar Nam-myoho-rengue-kyo? Enfocando tal dúvida, Daishonin explica nesta carta a profundidade de sua simples prática.
" Todas as coisas têm seu ponto essencial." Aqui Daishonin explica que Nam-myoho-rengue-kyo é a essência do Sutra de Lótus; portanto, quando recitamos Nam-myoho-rengue-kyo, é a mesma coisa como recitar o sutra inteiro. "Desse modo," Daishonin continua, "se voce incessantemente recitar o daimoku, estará lendo o Sutra de Lótus continuamente." Os volumosos trabalhos da escola T'ien-t'ai da China também atestam a profundidade do daimoku, diz Daishonin.
Um coisa simples não tem de ser simplística. Da mesma forma como podemos nos beneficiar de um supercomputador simplesmente ao ligar sua tomada, podemos também revelar-nos como Budas simplesmente recitando Nam-myoho-rengue-kyo como uma afirmação de nosso próprio inato estado de Buda.
"Um ensinamento tão fácil de manter e de praticar como este foi exposto para o bem de todos os seres vivos no maligno mundo destes últimos dias.
Nos supostos Últimos Dias da Lei, é dito que a verdade do Budismo de Sakyamuni está obscurecida pela corrupção clerical e que o sofrimento das pessoas aumenta por causa da confusão espiritual delas. Nos Últimos Dias da Lei, por conseguinte, um profundo ensinamento é necessário para aliviar a confusão das pessoas. Sua prática, porém, deve ser facilmente entendida e levada adiante por pessoas comuns, como Daishonin explica aqui.
A união do simples e do profundo em Nam-myoho-rengue-kyo é uma expressão da imensa compaixão de Daishonin como o Buda dos Últimos Dias da Lei. Pode ser dito que, por causa de ter sido tão grande o desejo de Daishonin de possibilitar todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei a atingirem o estado de Buda, ele concentrou sua profunda sabedoria para perceber a realidade essencial de todas as pessoas como seus inatos estados de Buda. Daishonin entendeu que, através da simples prática de recitar Nam-myoho-rengue-kyo associada a uma fervorosa expectativa de revelar o supremo potencial interno, as pessoas comuns podiam trazer à tona o mesmo estado de vida que Sakyamuni e Daishonin haviam alcançado, não importando seus graus de conhecimento Budista.
De uma perspectiva, os Últimos Dias da Lei é um tempo de corrupção e confusão. Entretanto, da perspectiva de Daishonin é o tempo para que seu verdadeiro ensinamento - Nam-myoho-rengue-kyo - seja difundido amplamente. As pessoas não devem ser simplesmente deixadas com seus sofrimentos, entregando-se elas próprias à vazias e esotéricas práticas religiosas. Pelo contrário, seus sofrimentos devem ser transformados no desejo pela busca de seus verdadeiros potenciais e servirem como um trampolim para o desenvolvimento de suas forças internas. Daishonin enfatiza a importância de dissipar a confusão das pessoas sobre o Budismo, de forma que elas possam evitar o prolongamento sem propósito de seus sofrimentos.
"E porque que eles aparentam ser verdadeiros sacerdotes, as pessoas acreditam sem a menor dúvida no que eles pregam. Portanto, sem se darem conta, as pessoas que os seguem tornam-se inimigas do Sutra de Lótus e do Buda Sakyamuni."
O quarto trecho do Sutra de Lótus que Daishonin cita é a famosa passagem da qual o termo kossen-rufu deriva. Kossen-rufu é a pronúncia em Japonês para a máxima do sutra "divulgar amplamente [o Sutra de Lótus]" como aparece na célebre tradução chinêsa de Kumarajiva. No capítulo "Casos Antigos do Bodhisattva Rei dos Remédios" do sutra, Sakyamuni incita um dos discípulos deste bodhisattva: "Depois que eu entrar em extinção, no período dos últimos quinhentos anos voce deve divulgar amplamente [o Sutra de Lótus] por toda a parte de Jambudvipa8 e nunca permita que esta divulgação seja interrompida, nem permita que demônios maus, pessoas do diabo, seres celestiais, dragões, os demônios yakshas9 ou kumbhanda10 aproveitem-se e tirem vantagem!"(SL23, 288).
Kossen-rufu significa a criação de uma sociedade pacífica através da divulgação ampla do Budismo, especialmente o ensino de Nam-myoho-rengue-kyo, que foi o principal objetivo de Daishonin. Como ele cita em uma carta intitulada, "Retribuindo Dívidas de Gratidão": "No Japão, China, India, e em todos os outros países de Jambudvipa, cada pessoa, independentemente de ser sábia ou ignorante, irá pôr de lado outras práticas e juntar-se à recitação de Nam-myoho-rengue-kyo. Esta doutrina nunca foi ensinada antes. Aqui, em toda a terra de Jambudvipa, em todos os 2.225 anos desde o falecimento do Buda, nem uma única pessoa a recitou.
Nitiren sozinho, sem poupar sua voz, agora recita Nam-myoho-rengue-kyo, Nam-myoho-rengue-kyo…. Se a compaixão de Daishonin é verdadeiramente imensa e abrangente, Nam-myoho-rengue-kyo irá difundir-se por dez mil anos e mais, por toda a eternidade, pois contém o poder benéfico de abrir os olhos cegos de cada ser vivo do Japão, e de bloquear as estradas que levam ao inferno de incessantes sofrimentos." (WND, 736).
De acordo com o conceito dos "cinco períodos de quinhentos anos"11 como descrito no Sutra Grande Coleção, após o falecimento do Buda Sakyamuni o Budismo passa por vários estágios de divulgação e prosperidade, e de corrupção e confusão. Através da história budista, vários foram os ensinos divulgados e que declinaram em diferentes períodos e lugares. Nos Últimos Dias da Lei, durante os quais a corrupção e confusão do Budismo se tornam exaltadas, um ensino profundo porém de fácil acesso se torna necessário. Daishonin identificou e revelou este ensinamento tão necessário para os Últimos Dias da Lei como Nam-myoho-rengue-kyo - a essência do Sutra de Lótus.
Como o trecho do sutra acima citado e os próprios escritos de Daishonin deixam claro, o trabalho dos praticantes do Budismo nos Últimos Dias da Lei é dobrado. Somos requisitados a divulgar o ensino de Nam-myoho-rengue-kyo amplamente através do mundo por amor à paz e pela felicidade das pessoas. A propagação do Budismo de Nitiren Daishonin, todavia, acarreta muitos grandes obstáculos, os quais o sutra metaforicamente descreve como demônios. Um segundo, e muitas vezes esquecido aspecto de kossen-rufu, por conseguinte, é o de superar aqueles obstáculos à divulgação do ensino de Daishonin e proteger sua integridade contra confusão e corrupção. Estes dois aspectos de kossen-rufu, ou seja, divulgar o ensinamento e superar os obstáculos a sua propagação, são inseparáveis; estão integrados à prática Budista nos Últimos Dias da Lei. Podemos divulgar Nam-myoho-rengue-kyo "tornando-o amplamente público" através do mundo inteiro, agora e no futuro, como Daishonin desejou e de acordo com o Sutra de Lótus. Entretanto, somente podemos fazer isto se não permitirmos que o fluxo de seu ensinamento seja cortado, nem que aqueles que obstruem sua propagação aproveitem-se e tirem vantagem.
Em "A Única Frase Essencial," Daishonin ressalta que muitas pessoas de seus dias foram iludidas pelos adornos sacerdotais - aspectos tais como eminência, rituais e cerimônias elaboradas, as suntuosas edificações de adoração nas quais eles oravam, etc. Os seguidores estimavam os ensinamento destes sacerdotes sem considerarem seus conteúdos. O declínio do Budismo nos Últimos Dias da Lei é devido, em parte, à corrupção dos sacerdotes e suas distorções do Budismo. A outra metade da culpa vai para as pessoas que comportavam-se com ingenuidade e ignorância. Daishonin conseqüentemente exprime sua preocupação: "Portanto, sem se darem conta, as pessoas que os seguem tornam-se inimigas do Sutra de Lótus e do Buda Sakyamuni."
O fundamento do Budismo é sincera fé, como o próprio Daishonin declara, "Ter fé é a base do Budismo" ("O Real Aspecto do Gohonzon,"WND, 832). Todavia, sinceridade que carece de razão causa miséria. O Daishonin ressalta que "As pessoas são ignorantes de suas faltas." Porém, do ponto de vista do Budismo, embora as pessoas possam ser sinceras em seus intentos, se seguirem falsos ensinamentos, não podem escapar de suas responsabilidades por darem apoio à distorção do Budismo. Isto é o que é chamado de "ofensa de cumplicidade na difamação" pela qual as pessoas sofrerão o mesmo grau de retribuição dos verdadeiros difamadores da Lei.
Por esta razão, aqueles que despertaram para o verdadeiro ensino de Nam-myoho-rengue-kyo têm a responsabilidade de ressaltar todas as distorções do Budismo e de ajudar os outros a superarem suas ilusões sobre o Budismo. Enquanto a maioria das pessoas estava avaliando as escolas Budistas pela boa aparência dos sacerdotes, Myoho e seu esposo reconheceram a verdade do Budismo nos ensinamentos de Daishonin e começaram a recitar Nam-myoho-rengue-kyo afim de expressarem seus inatos estados de Buda. O Daishonin escreve para louvá-los pela rara fé que eles têm, não manchada pelas confusões do Budismo em seus arredores. Além disso, ele apoia a confiança deles na profundidade e imenso poder de Nam-myoho-rengue-kyo, ou, "a única frase essencial."




- Jambudvipa: De acordo com a visão da antiga India, um dos quatro continentes situados nas quatro direções ao redor do Monte Sumeru. Jambudvipa está localizado ao sul e é o lugar onde os Budas aparecem. É muitas vezes tido como referindo-se ao mundo inteiro.
- yakshas (Skt): Um tipo de demônio. Originalmente, seres que serviam a Kubera, o deus da riqueza na antiga mitologia da India. Os yakshas foram incorporados ao budismo como um dos oito tipos de seres não-humanos que trabalham para proteger o Budismo. Os yakshas são tidos como seguidores do rei celeste Vaishravana e protetores do norte, embora alguns sutras os retratem como demônios que atormentam e prejudicam os seres humanos.
- kumbhanda (Skt): Uma classe de demônios. São considerados atendentes de Crescimento e Desenvolvimento, um dos quatro reis celestiais.
- "os cinco períodos de quinhentos anos": Cinco períodos consecutivos descritos no Sutra Grande Coleção, que prediz o curso do Budismo nos primeiros duzentos e cinquenta anos seguintes à morte de Sakyamuni, uma época na qual é esperado que o Budismo seja divulgado, prospere e eventualmente decline. Numa seqüência cronológica, os cinco períodos de quinhentos anos são:
(1) a idade de se chegar à emanicipação,
(2) a idade da meditação, (3)
a idade do estudo e recitação dos sutras e de receber preleção sobre eles,
(4) a idade da construção de templos e relicários, e
(5) a idade das contendas e disputas na qual os ensinos de Sakyamuni serão obscurecidos e perdidos. Os Períodos (1) e (2) constituem os Primeiros Dias da Lei; os Períodos (3) e (4), os Intermediários Dias da Lei, e o Período (5), o começo dos Últimos Dias da Lei.

Postado por BELAS HISTORIAS BUDISTAS às Sábado, Janeiro 03, 2009