quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O QUE É O GOSHO?

Chama-se "Gosho" ou "Gosho Zenshu", a recopilação de escritos que estabeleceu o Buda Original, Nitiren Daishonin, ao longo de sua vida consagrada a propagar o Budismo e estabelecer as bases do Kosen-Rufu.
A palavra Gosho aplica-se a todo o corpo de escrituras, a cada carta que Nitiren Daishonin escreveu. "Go" é um prefixo honorífico. "Sho" significa "escrito".
A designação Gosho não foi empregada pessoalmente por Daishonin, mas quem a empregou foi Nikko Shonin, seu sucessor imediato, para enaltecer cada uma das frases escritas por seu mestre com o fim de estabelecer o Verdadeiro Budismo.
Nikko Shonin fez esforços extraordinários para recopilar, copiar e preservar a obra de seu mestre. Sua grande preocupação era evitar que as cartas e teses do Buda se perdessem, pois, graças a relação de mestre e discípulo, ele sentia que nelas estava a base do futuro do Kossen-Rufu.
Muitos mestres e sábios da época escreviam seus ensinamentos em chinês clássico, que era incompreensível às pessoas sem erudição. Também dedicavam-se a escrever apenas teses e tratados de fundo acadêmico.
Sem dúvida, Daishonin tinha uma única preocupação: salvar as pessoas anônimas e manifestar em cada uma seu próprio estado de budicidade; dar ao povo sua verdadeira dignidade, compartilhando com ele a grandiosa sabedoria de Buda e fazer com todos fossem budas como ele.
Por isso escrevia com estilo sobressalente e depurado, mas com simplicidade de um verdadeiro sábio. Quando dirigia-se a uma senhora que não havia tido uma educação acadêmica, escrevia em um dialeto popular, o que lhe valia o desdém de certos eruditos e elitistas.
Quando dirigia-se ao governo, aplicava os recursos do estilo literário, mas iluminado pela chama da verdade e da sabedoria. Seu modo de escrever era contundente, antecipado a sua época, vigoroso, cheio de benevolência, livre de toda superficialidade. Cada palavra de Daishonin é letra viva e transcende toda circunstância de tempo e espaço. Por isso, hoje, sete séculos depois, continuamos lendo o Gosho com se houvesse sido escrito para nós, na época atual.
No Gosho incluem-se tratados da doutrina, registros de ensinos orais, cartas de admoestação, gráficos, cartas a seus discípulos e seguidores leigos, e outras escrituras. Hoje são preservadas mais de setecentas obras de Daishonin, entre as quais, manuscritos originais e cópias de seus sucessores, textos completos e fragmentos.
No ano de 1951, o segundo Presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, teve a determinação de promover a edição e compilação do Gosho. Para isso solicitou autorização ao Sumo Prelado Nitiko Hori, brilhante erudito, que aplaudiu o projeto e se uniu a ele encarregando-se da supervisão editorial.
Desta forma, em abril de 1952, o dia da celebração do sétimo centenário do Verdadeiro Budismo, pode-se contar com a versão autorizada e definitiva do Gosho Zenshu, graças ao trabalho da Soka Gakkai.
COMO DEVEMOS LER O GOSHO?
Existem três leituras:
1. A primeira seria pensar que os Goshos foram escritos no Século XIII no Japão para um seguidor. Que relação tinha Daishonin com essa pessoa? Como o orientava em suas circunstâncias? Qual era a realidade nessa época?,etc. Esta seria uma leitura geral, mas superficial.
2. A segunda forma de ler o Gosho é pelo ponto de vista da minha própria fé. Pensar que esse Gosho foi escrito para mim, para as minhas circunstâncias, como se o carteiro tivesse batido à minha porta e entregue em minhas mãos um ensinamento que o Buda escreveu para que eu forjasse a minha fé. Desse modo, o Gosho se converte num ensinamento transcendental, que supera todo limite de tempo e espaço, pois trata-se de uma transmissão direta, de vida a vida, através das três existências.
O fato de que nos sintamos discípulos de Daishonin ou não, depende exclusivamente de nós, pois o mestre sempre está aberto igualmente para todas as pessoas. Quem pode sentir o laço eterno entre a vida do mestre e sua própria vida, quem pode cultivar, através de seus esforços, seriedade e determinação, a relação de mestre e discípulo, é a pessoa que cresce ilimitadamente e que, por sua vez, forja inumeráveis seguidores, sem deter-se diante de qualquer obstáculo.
Quando alguém lê o Gosho a partir deste enfoque, pode sentir a emoção e a riqueza que só se experimenta no mundo da fé. Só com base no Gosho e no Gohonzon, alguém pode forja-se como devoto verdadeiro e levantar-se só com o coração valente de um discípulo...
3. A terceira leitura, a mais profunda, é buscar o ensinamento do Gosho com séria determinação de refleti-la em cada um de nossos atos. Quer dizer, ler o Gosho com a vida e alcançar uma absoluta coerência e inseparabilidade entre o ensino de Daishonin e nosso comportamento como pessoa na vida diária.
A fé não existe fora de nossa conduta diária como seres humanos. Assim o disse o Gosho. Esta leitura, entrelaçada com a ação, implica um compromisso sem reservas e uma decisão que vá mais longe do que as teorias ou palavras. Todos devemos ter este tipo de fé, inseparável da vida cotidiana.
Então, abordemos o estudo do Gosho com toda a seriedade e responsabilidade e reflitamos sobre estas perguntas:
1. Qual é a essência profunda do Gosho que acabo de estudar? Pude compreende-lo verdadeiramente, além do aspecto superficial?
2. Que decisão pude tomar em minha vida diária, para aplicar o espírito deste ensino e triunfar?
Outro aspecto importante é não encarar o estudo do Gosho como uma aquisição de conhecimentos de fora para dentro. Dessa forma, nunca poderá sentir o Gosho como parte de si. Ao contrário, o estudo do Gosho é despertar algo que está dentro de nós e que, portanto, não será necessário memorizar ou recordar, pois nos pertence.
Uma vez que termine a reunião, porque não voltar a ler as frases de ouro a cada semana, depois de fazer daimoku, até sentir a emoção de haver extraído todo seu significado?
O processo de incorporar o Gosho à vida diária e fazer dele a base de nossos atos, é tão árduo e longo, como a vida de todo devoto. De modo que estudemos com perseverança e assiduidade este ano e todos os anos vindouros...

Fonte: Argentina Seikyo (01 de fevereiro de 1992) enviado originalmente em espanhol por SELVIS STOCEL s3234@yahoo.com Panamá
Tradução: Cristina De Gregório Grimaldi Muniz (cristinagrimaldi@uol.com.br)
Revisão: Rita de Cássia Ribeiro mailto:ricasri@hotmail.com )

Postado por BELAS HISTORIAS BUDISTAS

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Abertura dos olhos

Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 220
BS - 27 DE JUNHO DE 2009 — EDIÇÃO Nº 1993
[De acordo com as palavras de Chang-an,]:

“Se a pessoa não tem a benevolência de corrigir o erro de sua amiga, na verdade, ela está agindo como sua inimiga”.


Resumo e cenário histórico


Este tratado é um dos cinco mais importantes de Nitiren Daishonin, no qual ele revela sua verdadeira identidade como Buda dos Últimos Dias da Lei possuidor das três virtudes de soberano, mestre e pais. Em fevereiro de 1272, logo no início do seu exílio na Ilha de Sado, vivendo sob severas circunstâncias, Daishonin concluiu este tratado em dois volumes e endereçou-o a Shijo Kingo, um dos seus principais discípulos em Kamakura.

Nitiren Daishonin experimentou uma série de adversidades na inóspita Ilha de Sado; a condição precária de sua cabana não o protegia do vento nem da neve; faltava-lhe alimentos, roupas e materiais para escrita. Além de seu sofrimento físico, ele ficou profundamente abalado ao saber que vários de seus seguidores de Kamakura haviam abandonado a fé. Sentindo que a morte constantemente o ameaçava, Daishonin redigiu este tratado com o propósito de encorajar seus discípulos como se fosse seu último desejo e testamento.

O título “Abertura dos olhos” significa capacitar as pessoas a enxergar a verdade; em outras palavras, libertá-las das ilusões e das visões distorcidas e despertá-las para que compreendam o correto ensino e seu correto mestre.


Explanação


A benevolência é a essência do budismo; ela expressa a condição iluminada do buda e é a base da ação do bodhisattva. Em outras palavras, a benevolência consiste em plantar a “semente do estado de Buda” na vida das pessoas, ou seja, vai além da atitude de preocupar-se simplesmente com o bem-estar delas. Um outro aspecto dessa benevolência é o de refutar rigorosamente as calúnias à Lei, pois não se consegue compreender o princípio de “atingir o estado de Buda nesta existência” enquanto o seu coração estiver encoberto pela escuridão da ilusão e descrença que as levam a denegrir o ensino correto.

No Sutra de Lótus, a benevolência abarca “o amor e a rigorosidade”, ou seja, ele revela de maneira clara e precisa o verdadeiro meio para que todos atinjam o estado de Buda, mostrando também a rigorosidade com relação à Lei.

A presente frase de “Abertura dos olhos” denota o espírito primordial da prática do Chakubuku que é a máxima benevolência. O ideal de ensinar o budismo a outra pessoa é despertá-la da escuridão da ignorância ou ilusão que destrói seu próprio interior, libertando-a de seu sofrimento fundamental e conduzindo-a para o caminho da felicidade absoluta.

De acordo com os ensinos budistas, quando se comete um mal e não se faz nada para corrigir isso, deixando prevalecer a mentira e a presunção como algo normal, sem que ninguém proclame a verdade, no final, tal atitude conduzirá à decadência moral e espiritual. Em outras palavras, sem uma base espiritual sólida, como a que oferece os ensinos de Nitiren Daishonin, uma religião verdadeiramente humanística, a estrutura da sociedade irá desintegrar-se cada vez mais. (Terceira Civilização, edição no 456, agosto de 2006, pág. 51.)

Na Nova Revolução Humana, consta: “O que eu quero solicitar ao senhor é o seguinte: enquanto estiver residindo na Itália, procure criar mesmo que seja um único companheiro e plante as sementes para o bem do futuro do Kossen-rufu. Eu digo isso porque deste ato inicia-se todo o nosso movimento. O maior feito de um homem é criar e deixar um outro que dá seguimento ao seu empreendimento. Quando uma semente germina, ela poderá produzir outras sementes e isto ocorrerá sucessivamente. Tudo se inicia por uma única pessoa. Esta é a importância de prezar as pessoas, um fator essencial para o desenvolvimento do Kossen-rufu”. (Vol. 5, pág. 79.)

Em outro trecho dessa obra, consta: “De qualquer modo, a propagação religiosa inicia-se pela amizade. É respeitando as pessoas que se pode desenvolver o verdadeiro diálogo”. (Ibidem, pág. 84.)

De toda a forma, ensinar o budismo a outra pessoa nos possibilita forjar um estado de vida tão indestrutível como um diamante. Em outro trecho desse mesmo escrito, Daishonin cita uma passagem do Sutra do Nirvana para esclarecer que o benefício da prática do Chakubuku é a conquista de um “corpo de diamante”.

(As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 215.)

Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 220
BS - 27 DE JUNHO DE 2009 — EDIÇÃO Nº 1993

Sobre a oração

Talvez alguém questione por que os resultados desses juramentos demoraram tanto para se evidenciar. Não obstante, mesmo que alguém errasse ao apontar para o chão, mesmo que alguém unisse os céus, que o fluxo e o refluxo da maré cessassem e que o sol nascesse no oeste, jamais aconteceria de as orações do devoto do Sutra de Lótus não serem respondidas.

Resumo e cenário histórico

Esta carta foi escrita por Nitiren Daishonin no nono ano de Bun’ei (1272) durante seu exílio na Ilha de Sado. Acredita-se que essa carta tenha sido endereçada a Sairen-bo, discípulo de Daishonin e ex-reverendo do templo da Montanha (Jikaku) da escola Tendai, que nessa época também estava exilado na Ilha de Sado.

Neste escrito, Daishonin faz distinção entre a eficácia das orações fundamentadas no Sutra de Lótus e aquelas baseadas nos ensinos errôneos das escolas que prevaleciam no Japão daquela época.

Daishonin elucida que todos os budas, bodhisattvas, as pessoas dos dois veículos e os seres humanos e celestiais que estavam presentes na assembléia do Sutra de Lótus nutrem um grande sentimento de gratidão por terem atingido o estado de Buda por meio deste sutra. E, para retribuir a essa dívida de gratidão, certamente protegerão aqueles que mantêm este sutra. É por essa razão que as orações baseadas no Sutra de Lótus são verdadeiras e serão infalivelmente respondidas.

Em outras palavras, quando recitamos a Lei Mística — o Nam-myoho-rengue-kyo — ativamos as forças do Universo ao nosso favor. O ritmo do Nam-myoho-rengue-kyo é o ritmo do próprio Universo.

Na célebre frase deste escrito, Nitiren Daishonin declara a sua inabalável convicção de que as orações fundamentadas no Sutra de Lótus, isto é, a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, serão infalivelmente atendidas. Citando uma incrível analogia com fatos da natureza absolutamente impossíveis, tais como errar ao apontar o chão, de o sol nascer no oeste, ou deixar de acontecer o fluxo e refluxo da maré, Daishonin afirma que as orações de quem recita o Daimoku são respondidas infalivelmente.

Comumente, ao se praticar o budismo, há questionamentos de diversas naturezas e de diferentes pessoas quanto à eficácia de suas orações. Todavia, Daishonin mostra claramente que não se deve criar a dúvida mesmo que aparentemente os benefícios estejam demorando para se manifestar. Devemos continuar orando com a certeza de que a resposta virá sem falta.

Entretanto, um ponto importante a observar é em relação à correta atitude de nossas orações. O que define o resultado está no espírito e na determinação com que estamos orando diante do Gohonzon. A oração deve ser específica e concreta, pois uma atitude vaga e dispersa seria como atirar uma flecha sem mirar o alvo. Portanto, devemos orar com uma forte determinação de concretizar sem falta o objetivo lançado. O pensamento passivo de que “se eu orar, tudo ocorrerá bem” demonstra apenas um desejo. Por outro lado, uma fervorosa oração manifestando os sentimentos mais sinceros, do fundo do coração e com toda a nossa vida será infalivelmente “comunicada” ao Gohonzon.

Outro ponto importante é que, à medida que o foco de nossas orações se expande, não apenas para os nossos próprios desejos como também pela felicidade de nossos amigos, de nossa família, da sociedade e de toda a humanidade, nossos horizontes também irão se expandir tanto quanto a grandeza como seres humanos.

O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, nos orienta da seguinte maneira: “Vocês podem orar por qualquer coisa que acreditam que contribuirá para sua felicidade e para a dos outros. Por exemplo, podem orar para se desenvolverem ou para tornarem-se certo tipo de pessoa. Basicamente, podem orar por qualquer coisa que desejarem. No entanto, recomendo-lhes que jamais orem por coisas negativas. Se orarem por algo que prejudicará seu progresso, ou o de outras pessoas, somente causará um efeito negativo em sua vida. Essa atitude vai contra o ritmo fundamental da vida. A chave para que nossas orações sejam respondidas é estar em ritmo com o Universo”. (Brasil Seikyo, edição no 1.516, 24 de julho de 1999, pág. 3.)

Em outro trecho desta mesma carta, Nitiren Daishonin afirma que “Por esse motivo, sabemos que as orações oferecidas por um praticante do Sutra de Lótus serão respondidas assim como o eco responde a um som, como a sombra segue uma forma, como o reflexo da lua aparece na água límpida, como o espelho acumula gotas de orvalho (1), como o ímã atrai o ferro, como o âmbar atrai partículas de pó ou como o espelho limpo reflete a cor de um objeto”.
(END, vol. 5, pág. 124.)

O poder do Buda e o poder da Lei contidos no Gohonzon manifestam sua força de acordo com o poder da fé e do poder da prática manifestados por nós próprios. Portanto, se manifestarmos um poder da fé e um poder da prática equivalente a cem, mil ou dez mil, então seremos capazes de manifestar o poder do Buda e o poder da Lei na mesma proporção.

O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, costumava utilizar a analogia da intensidade do som gerado pelo sino quando o tocamos com diferentes tamanhos de materiais, tais como um palito de dente, um palito de comer arroz japonês ou um batedor de sino adequado. O sino é o mesmo em todos os casos, porém, a intensidade do som depende da força com que acionamos o mesmo. O mesmo ocorre com relação ao Gohonzon. O tamanho dos benefícios depende inteiramente do nosso poder da fé e do poder da prática. Enfim, quando as nossas orações ao Gohonzon são repletas de fé e determinação, podemos alcançar sem falta os resultados .


(Brasil Seikyo, edição nº 1980, 28/03/2009, página B1.)

O Devoto do Sutra de Lótus encontrará perseguição

(Hokke Gyoja Honan-ji, págs. 965 a 967)

Para Kawanobe e sua gente, o Sacerdote Yamoto Ajari e outros, e todos os meus discípulos e meus seguidores Saburo Zaemon-no-jo e Toki. Respeitosamente, Nitiren.
Pós-escrito: Nagarjuna e Vasubandhu foram, ambos, eruditos de mil obras. Contudo, eles expuseram somente os ensinos Mahayana provisórios. Embora entendessem (o significado de) o Sutra de Lótus em seus corações, eles não o declararam em palavras. (Existe uma transmissão oral referente a isto). Tientai e Dengyo chegaram até a expô-lo, mas deixaram sem revelar o objeto de adoração do ensino essencial, os quatro Bodhisattva, o supremo santuário e os cinco caracteres do Nam-myoho-rengue-kyo. As razões dele foram, primeiro, porque o Buda não havia transferido o ensino a nenhum deles, e, segundo, porque o tempo não era oportuno e a capacidade das pessoas ainda não havia amadurecido. Agora chegou o tempo e os quatro Bodhisattvas com certeza farão o seu advento. Eu, Nitiren, fui o primeiro a compreender isto.
Afirma-se que o vôo de um pássaro azul anuncia a aparição da Rainha do Oeste, e que o conto de uma pega prediz a chegada de uma visita. Da mesma maneira, há presságios que prenunciam o advento dos quatro Bodhisattvas). Todos aqueles que se consideram meus discípulos devem saber que agora é o tempo para os outros Bodhisattvas aparecerem. Portanto, mesmo que isso possa lhes custar suas vidas, jamais devem abandonar sua fé.
Toki, Saburo Zaemon-no-jo, Kawanobe, Yamamoto Ajari e o restante dos senhores, cavalheiros e sacerdotes, devem ler esta carta uns para os outros e prestar atenção. Nessa era impura, devem sempre conversar juntos e jamais devem parar de orar pela sua próxima vida.
O quarto volume do Sutra de Lótus declara: "Como o ódio e a inveja (com relação a este sutra) abundam mesmo durante a existência do Buda, muito piores serão no mundo após a sua morte!" O quinto volume diz: "As pessoas nutrirão rancor (contra o Sutra de Lótus) e acharão extremamente difícil acreditar". O trigésimo oitavo volume do Sutra Nirvana afirma: "Naquele tempo havia um número incontável de brâmanes que conspiraram em conjunto e foram em massa até o rei Ajatashatru de Magadha dizendo: Atualmente existe um homem de perversidade incomparável, um monge chamado Gautama.
Oh! Rei, Vossa Majestade nunca o examinou e isto foi despertar muito medo em nós. Todas as espécies de pessoas más, esperando obter lucros e donativos, ocorreram a ele aos bandos e tornaram-se seus seguidores. (Eles não praticam a bondade. Ao invés disso, usam o poder de encantos e magias para convencer homens como) Mahakashyapa, Shariputra e Mandgalyayana. Isto ilustra bem o significado da passagem: "Como o ódio e a inveja abundam mesmo durante a existência do Buda…"
O monge de grande virtude Tokuiti insultou o grande Mestre Tientai Chihche, dizendo: "Olhe aqui, Chih-I, discípulo dequem você é? Com uma língua menor que sete centímetros de comprimento, você calunia os ensinos que vem da língua longa e ampla do buda ?" Tokuiti também afirmou: "Com certeza, ele (Tientai) deve ser perverso e insano". Mais de trezentos sacerdotes, incluindo os prelados de alta categoria dos sete principais templo de Nara como o Supervisor de Monges Gomyo e o Mestre de Disciplina Keishin, atuaram insultos ao Grande Mestre Dengyo, dizendo: "Assim como na terra da Hsia do oeste na época central houve um brâmane mau chamado Eloquência Demoníaca que enganava as pessoas, agora, neste reino leste do Japão há um monge de cabeça raspada que cospe palavras astutas. Demônios como esse atrairão para si aqueles que têm mentes semelhantes e enganarão e desencaminharão o mundo".
Contudo, Dengyo em seu "Hokke Shuku": "Sakyamuni ensinou que o superficial é fácil de abraçar, mas o profundo é difícil. Abandonar o superficial e buscar o profundo requer coragem. O Grande Mestre Tientai confiou no Buda Sakyamuni, obedeceu-lhes e trabalhou para sustentar a escola Hokke (Lótus), propaando os seus ensinos por toda a China. Nós, do Monte Hiei herdamos a doutrina de Tientai e labutamos para manter a escola Hokke e para disseminar seus ensinos por todo o Japão."
Durante a existência toda do Buda assim como nos dois mil anos dos Primeiros e Médios Dias da Lei que se seguiram à sua morte, houve somente devotos do Sutra de Lótus. Eles foram o próprio Buda Sakyamuni, Tientai e Dengyo. Em contraste, Shan-wu-wei e Pu-kung da escola Shingon, Tu-shun e Chih-yen da escola Kegon, e os mestres da escola Sanron e Hosso, todos, interpretaram as sentenças do Sutra do verdadeiro ensino de uma forma que estas concordassem com o significado dos Sutras provisórios. Eruditos como Nagarjuna e Vasubandhu compreenderam internamente (o significado de) o Sutra de Lótus, mas não o expressaram em palavras externamente. Nem mesmo as quatro categorias de santos. Nos Primeiros Dias da Lei poderiam se comparar com Tientai e Dengyo em se tratando de propagar o Sutra de Lótus conforme o mesmo ensina.
Se a predição do Sutra for verdadeira, deve existir um devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei, e as imensas dificuldades que ele encontrará excederão àquelas que ocorreram durante a vida do Buda. O próprio Buda experimentou nove grandes provações. Ele foi caluniado por Sundari; ofereceram-lhe papa de arroz fétida; foi forçado a comer forragem de cavalo; o Rei Virudhaka massacrou a maior parte do clã Sakya; foi esmolar, mas sua tigela permaneceu vazia; Chinchomanavika caluniou-o; Devadatta empurrou uma enorme pedra no alto de um morro (numa tentativa de matá-lo); e o vento frio obrigou-o a buscar mantos para se proteger. E, além disso, ele foi denunciado por todos os brâmanes, conforme mencionei anteriormente. Se considerarmos a predição no Sutra (de que o ódio e a inveja serão 'muito piores' após a morte do Buda), então Tientai e Dengyo não cumpriram a profecia do Buda. Em vista de tudo isso, deve aparecer no início dos Últimos Dias da Lei assim como o Buda predisse.
De qualquer modo, no dia 7 de dezembro de 1273, uma corte de Hojo Tokiyori, o ex-governador da província de Musashi, alcançou a província de Sado. A missiva à qual ele apôs seu selo, diz: Ouvimos um boato de que Nitiren, o sacerdote exilado em Sado, está liderando seus discípulos na maquinação de alguns atos nocivos. Seu estratagema é totalmente ultrajante. A partir de agora, aqueles que seguirem sacerdotes serão severamente punidos. Se houver quem, mesmo assim, viole essa proibição, seus nomes deverão ser informados. Esta é uma ordem oficial.
Sacerdote Kan'e Em 7 de dezembro de 1273.
A Eti-ro Rokuro Zaemon-no-jo.
Essa carta afirma que eu "maquinando alguns atos nocivos". Os brâmanes caluniaram o Buda, dizendo que Gautama era um homem mau. Eu, Nitiren, sofri pessoalmente cada uma das nove grandes provações. Entre elas, o massacre a que Virudhaka submeteu o clã Sakya, ir pedir donativos e ser deixado com um tigela vazia, e ser forçado a procurar mantos como proteção contra o vento frio. Foram grandes testes que superaram em muito aqueles que ocorreram durante a existência do Buda. Esses são sofrimentos que Tientai e Dengyo jamais enfrentaram. Os senhores realmente devem saber que, somando Nitiren aos, há agora um quarto devoto do Sutra de Lótus, que surgiu nos Últimos Dias da Lei. Quão feliz estou por cumprir as palavras da profecia do Sutra: "Muito piores serão no mundo após a sua morte!" Quão triste eu me sinto pelo fato de que todas as pessoas deste país cairão no inferno Aviti! Não entrarei em detalhes aqui, ou esta carta se tornará muito complicada. Devem considerá-la por si próprios. Nitiren
Em 14 de janeiro de 1274.
Todos os meus discípulos e seguidores devem ler e ouvir esta carta. Aqueles que são diligentes devem discutí-la entre si.


Fundo de Cena

Nitiren Daishonin escreveu esta carta para todos os seus discípulos sacerdotes e seguidores leigos, incluindo Toki Jonin, Shijo Kingo, Kawanobe e Yamato Ajari, no dia 14 de janeiro de 1274. Embora um mês mais tarde o governo viesse a decretar o seu perdão, nessa ocasião Nitiren Daishonin ainda estava sendo tratado como um criminoso, um fato evidente a partir das ordens promulgadas por Hojo Tokiyori citados neste gosho. (As mesmas também são mencionadas no Gosho "O Comportamento do Buda"). A hostilidade das autoridades, somadas as dificuldades como o frio e a fome, tornavam a sobrevivência de Nitiren Daishonin deveras precária.
Nesta carta, ele salienta a seus discípulos que mantenham firmemente a fé, mesmo sob o risco de suas vidas. Ele também declara que é o verdadeiro devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. O Sutra de Lótus afirma: "Como o ódio e a inveja com relação a este Sutra abundam mesmo durante a existência do buda, muito piores serão no tempo após a morte!" Nitiren Daishonin indica que somente ele, de acordo com a predição do Buda, experimentou, em prol do Sutra, perseguições maiores do que aquelas enfrentadas pelo Buda Sakyamuni ou pelos Grandes Mestres Tientai e Dengyo.
O Pós-escrito dessa carta, que na realidade aparece em seu início, contém um referência antecipada às grandes Leis Secretas - o objeto de adoração, o supremo santuário e a invocação ou Daimoku do ensino essencial como a doutrina que nem Sakyamuni ou seus sucessores da Índia, China e Japão jamais revelaram. Esses elementos formam o âmago do budismo de Nitiren Daishonin, e parece que ele já os tinha em mente há muito tempo. O Gosho "Desejos Mundanos são Iluminação", datada no mês de maio de 1273, fala de 'assuntos importantes contidos no capítulo Juryo do ensino essencial' e a "Carta a Guijo-bo", datada do mesmo mês, cita 'as grandes Leis Secretas, a incorporação de dos três mil mundos numa existência momentânea da vida, no capítulo Juryo'.
O gosho "O Verdadeiro Objeto de Adoração", concluído em abril de 1273, especifica o Daimoku e o objeto de adoração, declarando: "…eles não colocaram o Nam-myoho-rengue-kyo em prática real nem estabeleceram o verdadeiro objeto de adoração"; um outro gosho, "O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis" datado no mês seguinte, também menciona o Daimoku e o objeto de adoração: "Nitiren, no entanto, foi o primeiro a propagar a Lei Mística confiada ao Bodhisattava Jogyo para ser disseminada nos Últimos Dias da Lei. Nitiren foi também o primeiro a inscrever o Gohonzon…", contudo, Nitiren Daishonin nunca havia se referido especificamente ao supremo santuário até escrever essa carta. Neste sentido, esse Gosho é especialmente importante pois é a primeira escritura remanescente que enumera todas as Grandes Leis Secretas.

Postado por BELAS HISTORIAS BUDISTAS

As Profecias do Buda

(Kembutsu Mirai-Ki - Página 505 a 509)

O sétimo volume do Sutra de Lótus diz:
"Durante o último período de 500 anos a após minha morte, o Sutra de Lótus propagar-se-á por todo o mundo e nunca cessará seu fluxo." Eu, por outro lado, lamento: passaram-se aproximadamente 2.220 anos desde o falecimento do Buda, e que mau carma impediu-me de nascer durante os dias do Buda ou ver os quatro santos dos Primeiros Dias da Lei ou, ainda, encontrar-me com Tientai, Dengyo e outros nos Médios Dias da Lei? Por outro lado contente quando penso na boa sorte que me possibilitou nascer no último período de 500 anos e ler este ensino dourado do Buda. Mesmo que tivesse nascido nos dias do Buda, não teria sentido pois aqueles que ouviram os ensinos dos primeiros "quatro sabores" não ouviram até agora o Sutra de Lótus. E, ainda, mesmo que eu tivesse nascido nos Médios Dias da Lei não teria o mínimo significado, pois mesmos os sábios das sete seitas ao norte e três do sul do rio Yangtze, assim como os sábios da Kegon, Shingon e outras seitas, não acreditaram no Sutra de Lótus.Tientai, o Grande, afirmou: "No último período de 500 anos a Lei Mística será propagada e irá até o futuro distante oferecendo à humanidade abundantes benefícios." Não estava ele se referindo ao tempo do Kossen-rufu? Dengyo, o Grande, declarou: "Os Primeiros e Médios Dias estão quase passando e os Últimos Dias estão muito próximos." Suas palavras revelam quanto ele desejou viver no começo dos Últimos Dias da Lei. A comparação dos benefícios nestas três eras revela que ultrapasso Ryuju e Tenjin e ainda, Tientai e Dengyo.Questão: O senhor não é a única pessoa que vive neste período de 500 anos. Por que está particularmente contente com isso?Resposta: O quarto volume do Sutra de Lótus diz: "Desde que o ódio e a inveja eram abundantes durante a existência do Buda, quão pior será no mundo após seu falecimento?" A respeito disso, Tientai, o Grande, disse: "Será muito pior no futuro porque o Sutra de Lótus é muito difícil de ser ensinado." Miao-lo, o Grande, disse: "O Sutra de Lótus é difícil de ser ensinado - significa a dificuldade de ensinar o sutra às pessoas de tal modo que elas possam compreender." O bonzo Tido disse: "Um provérbio secular diz que o bom remédio é sempre amargo. De maneira semelhante, este sutra destroi a ligação aos cinco veículos e admite somente o Supremo Veículo, rejeita os mortais comuns como os santos que seguem os ensinos provisórios, e rejeita o Himayana... como o Mahayana... Todas as pessoas que são repudiadas perseguem os crentes do Sutra de Lótus." Dengyo, o Grande, proclamou: "Falando do tempo, é o fim dos Médios Dias da Lei e o começo dos Últimos Dias da Lei. Quanto ao lugar, é uma terra localizada ao Leste de T'ang e ao oeste de Katsu. A respeito de seus habitantes, são pessoas manchadas pelas cinco impurezas numa época de conflitos. Uma passagem do sutra diz: Desde que o ódio e a inveja eram abundantes mesmo durante a existência do Buda, quão pior será o mundo após seu falecimento?" Estas palavras têm sido justificadas." Dengyo escreveu como se estivesse falando a respeito de seus próprios dias, mas na realidade, estava descrevendo a presente era. É isto que dá significado tão profundo às suas palavras: "Os Primeiros e Médios Dias estão passando e os Últimos Dias estão muito próximos.Ö sutra diz em parte: "Os demônios e as pessoas sob seus controles, os espíritos dos céus e do mar, os demônios horríveis, os demônios que consomem a vitalidade humana e os outros perpetrarão o mal através destas perseguições. "Em uma outra parte do sutra, os nomes dos outros demônios aparecem: "Demônios horríveis, demônios espertos, demônios vermelhos, alaranjados, negros, azuis e etc." O sutra está dizendo que as pessoas, que em existências prévias abraçaram os ensinos provisórios, o Bramanismo ou as doutrina do homem e do céu, nascem nesta existência como demônios, espíritos celestes e seres humanos, que perseguem o devoto do verdadeiro ensino quando o vêm ou o servem.Questão: Comparando os Primeiros e Médios Dias com os últimos Dias da Lei, parece-me que as duas eras anteriores brilham muito mais do que a dos Últimos Dias; as épocas eram boas e as pessoas muito mais devotadas. Por que o sutra rejeita aquelas épocas e fala somente a respeito da presente era?Resposta: É difícil sondar a mente do Buda. Sem dúvida, mesmo eu sou incapaz de fazer isso. Mas, se olhamos os sutras Hinayana, por exemplo, podemos compreender mais claramente. Durante o milênio dos Primeiro Dias da Lei, os sutras Hinayana podiam oferecer todos os três - ensino, prática e prova. No milênio seguinte dos Médios Dias da Lei, o ensino e a prática foram continuadas, mas não mais havia qualquer prova real. Agora nos Últimos Dias da Lei, o ensino permanece, mas não há nem prática nem prova.Procurei entre o soberano e seus súditos, entre todos os bonzos e freiras, todos os leigos e leigas, por alguém que tivesse cumprido as predições do Buda à luz destes ensinos. Tenho feito isso para provar a verdade de suas palavras, mas, à parte de Nitiren, não posso encontrar nenhuma pessoa assim. Certamente estamos agora no começo dos Últimos Dias da Lei, mas, se Nitiren não tivesse aparecido, as predições do Buda tornar-se-iam falsas.Questão: Dizendo assim o senhor não está sendo um bonzo extremamente presunçoso - ainda mais presunçoso do que Daiten ou Shizen. Não é assim?Resposta: Caluniar Nitiren é um pecado ainda mais grave do que os pecados cometidos por Devadatta e Muku-ronshi. Posso parecer arrogante, mas meu único propósito é cumprir as predições do Buda e revelar a verdade de seus ensinos. Há alguém, além de Nitiren, entre os japoneses, que posso ser chamado de devoto do Sutra de Lótus? Acusando Nitiren, o senhor fará as profecias do Buda tornarem-se somente mentiras. Isso não torna o senhor uma pessoa de grande mal?Questão: Certamente o senhor cumpriu a predição do Buda sobre o devoto do Sutra de Lótus, mas não há outros devotos do Sutra de Lótus talvez na Índia ou China?Resposta: Pode haver somente um sol nos céus. Pode haver mais de um soberano a governar a terra?Questão: Que prova o senhor tem?Resposta: A lua aparece no oeste e espalha sua luz em direção ao leste. O sol surge no leste e lança seus raios ao oeste. O mesmo é verdadeiro como Budismo. Ele se espalhou do oeste ao leste nos Primeiros e Médios Dias da Lei, mas viajará do leste ao oeste nos Últimos Dias da Lei.Miao-lo, o Grande, disse: "O Budismo foi perdido na Índia, e estão procurando-o fora." Assim, não há mais Budismo na Índia.Há cento e cincoenta anos na China, durante o reinado do Imperador Kao Tsung, os bárbaros do norte invadiram Tongking e puseram um fim ao que de pouco foi deixado lá tanto do Budismo como da ordem política. Agora não resta nem um único sutra Hinayana na China; além disso, a maioria dos sutras Mahayana foi perdida. Mesmo quando Jakusho e outros bonzos foram do Japão para levarem alguns sutras para a China, não havia ninguém lá a quem estes sutras pudessem ser ensinados. Seus esforços foram tão sem sentido como se tentassem ensinar o Budismo a estátuas de madeira ou pedra vestidos com roupas de bonzos e segurando tigelas de mendicância.É por isso que Junshiki disse: "O Budismo foi primeiro transmitido ao oeste, tal como a lua aparece primeiro no oeste. Agora o Budismo retorna ao leste como o sol surgindo no leste." As palavras de Miao-lo e Junshiki tornam claro que o Budismo foi perdido tanto na Índia como na China.Questão: Agora posso ver que não há Budismo na Índia ou na China. Como, todavia, pode o senhor estar certo de que o Budismo morreu nos continentes orientais, ocidentais e setentrionais do mundo?Resposta: O oitavo volume do Sutra de Lótus diz: "Após o falecimento do Buda, propagarei o Sutra de Lótus dentro do continente meridional inteiro e nunca o permitirei perecer." A palavra "dentro" indica que os três outros continentes foram excluídos.Questão: O senhor cumpriu a profecia do Buda; agora, o que o senhor próprio prediz?Resposta: Não pode haver dúvidas de que o último período de 500 anos já começou como profetizado pelo Buda. Digo que, sem falha, o Budismo surgirá e fluirá do leste, da terra do Japão. Ocorrendo presságios na forma de calamidades naturais de uma magnitude maiores do que as já testemunhas nos Primeiros ou Médios Dias da Lei. Quando o Buda nasceu, girou a roda da doutrina, e também quando entrou no Nirvana, os presságios foram maiores do que quaisquer já observados, tanto os auspiciosos como os sinistros. O Buda é o mestre de todos os santos. Os sutras descrevem como, ao nascimento do Buda, cinco cores de luz preencheram o ar, brilhando muito em todas as direções, e a noite tornou-se tão clara quanto o meio-dia. Na morte do Buda, doze arcos brancos cruzaram o céu no norte ao sul, a luz do sol foi extinguida, e o dia tornou-se tão escuro quanto à meia noite. Seguiram-se os doze mil anos dos Primeiros e Médios Dias da Lei; santos nasceram e santos morreram, budistas e outros, mas nunca houve qualquer presságios de tamanha magnitude.Do começo do período Shoka até este ano, contudo, tem havido tremendos terremotos e extraordinários fenômenos no céu, exatamente como os sinais que marcaram o nascimento e morte do Buda, indicando-nos que nasceu um santo com a estatura de um Buda. Um grande cometa cruzou o céu, mas para qual soberano ou súdito este presságio veio? A terra tremeu e abriram-se grandes fissuras por três vezes, mas para qual santo ou sábio isto ocorreu? Estes tremendos presságios, claramente, sejam bons ou maus, são de tal gravidade que devem significar algo extraordinário. Sem dúvida, a Grande Lei Pura está surgindo e a Lei Pura está se extinguindo.Tien-tai afirmou: "Pela, fúria da chuva pode-se saber a grandeza do dragão, e pela plenitude da lótus pode-se saber a profundeza da água." Miao-lo disse: "O sábio pode ver os presságios e o que estes predizem tal como a cobra sabe seu próprio caminho."Há vinte e um anos, eu, Nitiren, compreendi o que estava para vir. Desde então tenho sofrido perseguição dia após dia e mês após mês. Durante os últimos dois ou três anos quase fui morto. As possibilidades de que eu sobreviva neste ano ou mesmo neste mês são uma em dez mil. Se houver alguém que questione, peçam aos meus discípulos por explanação detalhadas. Quão prazeroso é em uma existência poder expiar os pecados de caluniar desde o eterno passado! Quão afortunado é ser capaz de servir ao Buda, Qua nunca foi conhecido até agora! Antes de qualquer um, oro para que possa conduzir à verdade e os outros que me perseguiram. Contarei ao Buda Sakyamuni sobre todos os meus discípulos Que me ajudaram. Antes de morrer, desejo também passar os grandes benefícios desta fé aos meus pais que me deram nascimento.Como se num sonho, compreendi o significado do Capítulo 'Hoto' do Sutra de Lótus que diz: "Lançar o Monte Sumeru às incontáveis terras dos Budas não seria impossível. Mas, propagar este sutra no mundo repleto de maldade após o falecimento do Buda será extremamente difícil." Dengyo, o Grande, proclamou: "Sakyamuni ensinou que o superficial é fácil de abraçar, mas que o profundo é difícil. Abandonar o superficial e procurar o profundo requer coragem. Tien-tai, o Grande, praticou verdadeiramente os ensinos de Sakyaminu e propagou a fé no Sutra de Lótus na China. Dengyo e seus seguidores herdaram a doutrina de Tien-tai e disseminaram-na por todo o Japão."Nascido na província de Awa, Nitiren tornou-se o herdeiro direto desses três mestres budistas e propagou o Sutra de Lótus nos últimos Dias da Lei. Juntos devem ser chamados de "os quatro mestres do Budismo nos três países."Nam-myoho-rengue-kyo, Nan-myoho-rengue-kyo.
Em 11 de maio de 1273.
NITIREN

FUNDO DE CENA

Nitiren Daishonin escreveu este Gosho em 11 de maio de 1273 enquanto em exílio na Ilha de Sado. A ilha era tão desolada que dificilmente poderia provê-lo das necessidades da vida. Não obstante, Nitiren Daishonin estava totalmente esquecido das suas próprias dificuldades e devotou todas as suas energias para deixar sua filosofia-de-vida para toda a humanidade e assim, encorajar seus discípulos em sua fé.Com confiança e coragem, Daishonin defrontou bravamente as perseguições que Sakyamuni havia que ocorreria ao devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. Tendo cumprido todas as predições de Sakyamuni, Daishonin identificou-se como o devoto. Embora este século agora nos separe de Daishonin, sua compaixão em salvar a humanidade e o significado da sua grande profecia está se tornando cada vez mais ampla e profunda com o passar dos tempos.Quando Nitiren Daishonin expôs pela primeira vez a verdade última no Sutra de Lótus, ninguém o acreditou; além disso, caíram perseguições sobre ele uma após outra exatamente como o Buda Sakyamuni havia profetizado no Sutra de Lótus. As perseguições que o atacaram foram tão severas que sua vida estava continuamente em risco. Todavia, ele sabia que ninguém mais poderia estabelecer a validade do Sutra de Lótus. Ele sozinho estava tão devotado à causa do sutra que as perseguições, não importando quão grandes, não tinham nenhum efeito a ele.O título "A Profecia do Buda" tem dois significados: um é a predição do Buda Sakyamuni de que o devoto do Sutra de Lótus aparecerá no início do Últimos Dias da Lei para propagar a crença no sutra a despeito de grandes perseguições. Foi Nitiren Daishonin quem cumpriu esta profecia.O significado mais profundo deste título envolve a própria profecia de Nitiren Daishinin que, nos Últimos Dias da Lei, durando até o eterno futuro, o Verdadeiro Budismo será propagado por todo o mundo para beneficiar a humanidade. Portanto, o Sutra de Lótus que Sakyamuni profetizou que deveria se propagar no começo dos últimos Dias da Lei indica a Grande Lei Pura, o Nam-myoho-rengue-kyo. O devoto do Sutra de Lótus que Sakyamuni profetizou que deveria aparecer para expor este ensino significa Nitiren Daishonin, o Buda Original que pode mostrar à humanidade o caminho da salvação.Quando estudamos este Gosho, devemos compreender que temos de viver cada uma das palavras de Nitiren Daishonin afim de cumprir sua predição. Nitiren Daishonin enfrentou com bravura suas perseguições e estabeleceu o verdadeiro objeto de adoração. Ele simplesmente desejou incentivar seus futuros discípulos a propagarem a fé no Gohonzon por todo o mundo. Agora é o exato tempo para assim fazermos.No Gosho é citada a explanação de Tien-tai sobre o Sutra de Lótus que "cada palavra é o próprio Buda Original." Daishonin tomou esta frase de coração e procurou o significado de cada caráter no Sutra de Lótus para determinar seu significado em relação a si próprio. E com sua resoluta prática da fé, demonstrou a verdade a cada palavra. Foi por causa já valorosa luta de Nitiren Daishonin que o Sutra de Lótus, que estava ameaçado de ser despojado do seu significado por interpretações formalísticas, renasceu como uma grande fênix e tornou a viver valiosamente. Devemos nos aproximar do Gosho que é o ensino para esta era do mesmo modo que Nitiren Daishonin se aproximou do Sutra de Lótus."A Profecia do Buda" pode ser dividido em sete seções: Nitiren Daishonin (1) esclarece a profecia de Sakyamuni;(2) torna claro que há perseguições nos Últimos Dias da Lei; (3) proclama que o Verdadeiro Budismo deve ser propagado ao mundo nos Últimos Dias da Lei; (4) Identifica-se como Buda Original que aparecia nos Últimos Dias da Lei; (5) mostra a não existência do Budismo tanto na Índia como na China; (6) explana como o Verdadeiro Budismo será propagado por todo o mundo nos Últimos Dias da Lei.Nitiren Daishonin primeiramente menciona a profecia de Sakyamuni de que o Sutra de Lótus será propagado por todo o mundo nos Últimos Dias da Lei. Embora lamente que não nasceu durante a vida do Buda, ou nos Primeiro e Médios Dias da Lei, Daishonin ao mesmo tempo alegra-se por Ter nascido nos Últimos Dias da Lei. Tien-tai e Miao-lo que apareceram nos Médios Dias quiseram viver nos Últimos Dias quando surge o Verdadeiro Budismo para dar grandes benefícios a toda a humanidade. Aos olhos do Budismo, Nitiren Daishonin tinha a boa sorte incomparavelmente maior do que Tien-tai e Dengyo.Na Segunda seção, Nitiren Daishonin substancia as razões das perseguições que cairiam ao devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. Todos os santos budistas, inclusive Sakyamuni, juntaram-se para dar testemunho ao fato de que a maior de todas as perseguições atacaria o devoto dessa época.Nitiren Daishonin devota as três seções para provar que o Gohonzon (o verdadeiro objeto de adoração)O ganhará a fé das pessoas em todo o mundo nos Últimos Dias da Lei. As pessoas nesta época perderam o espírito do Budismo de Sakyamuni porque estão tão cheias de impurezas que o distorceram irrevogavelmente. Alheio a isto, contudo, as pessoas ainda apoiam-se em vários ensinos de Sakyamuni e mostram hostilidade para o Budismo de Daishonin. A hostilidade e a calúnia contra o Verdadeiro Budismo criadas pela confusão a respeito do Budismo em geral são marcos claros dos Últimos Dias. Foi para restaurar o humanismo e paz nesta época que Nitiren Daishionin consagrou sua vida para fundar e propagar o Verdadeiro Budismo.Na Quarta seção, citando várias frases do Sutra de Lótus, Nitiren Daishonin revela que ele é o verdadeiro devoto do Sutra de Lótus que Sakyamuni profetizou que apareceria no começo dos Últimos Dias da Lei. Ele mostra como as descrições maiores do que ele para o propósito da propagação do Sutra de Lótus. Com isto, contudo, Daishonin não somente esclarece que é o devoto, mas, mais fundamentalmente , revela que é o Buda Original estabelecendo a base para o fluxo eterno do Verdadeiro Budismo no futuro.A Quinta seção assinala que o Budismo não mais é viável tanto na Índia como na China. Tal como o Budismo morreu nesses dois países, o Verdadeiro Budismo de Nitiren Daishoinin surgiu na terra oriental do Japão. O Budismo indiano propagou-se do oeste para o leste, mas agora o Budismo tão brilhante quanto o sol retornará do leste ao oeste.Nitiren Daishonin revela a sua própria profecia na Sexta seção. Anteriormente, ele mencionou as grandes perseguições que cairiam sobre si, mas aqui Daishonin compara os presságios que ocorreram antes da inscrição do Daí-Gohonzon com os que ocorreram nos de Sakyamuni. Quando o Buda Sakyamuni nasceu, quando expôs pela primeira vez a Lei, e quando morreu, apareceram sinais de grande magnitude, mas antes e após o nascimento de Daishonin surgiram presságios de muito maior gravidade, predizendo que um Budismo ainda maior do que o de Sakyamuni estava para surgir.Nitiren Daishonin dedicou a última seção para os seus discípulos. Ele os confiou com a tarefa de propagar o Verdadeiro Budismo por todo o mundo no futuro. Disto devemos compreender que Daishonin enfrentou bravamente todas as perseguições sob o firme desejo de que seus discípulos deveriam viver para a mesma causa e realizarem a propagação mundial do Verdadeiro Budismo.

A Única Frase Essencial

-
Explanação do Gosho feitos pelo Departamento de Estudo da SGI-USA.
Tradução não oficial para a língua portuguesa - Teresinha M. Santos, NY


Myoho, a recebedora de "A Única Frase Essencial," havia perguntado a Nitiren Daishonin: "Posso atingir a iluminação apenas recitando Nam-myoho-rengue-kyo?" Numa época em que o Budismo estava mais do que qualquer outra coisa associado a elaborados rituais e doutrinas esotéricas, poderíamos conjeturar o subtexto de sua questão como sendo: "Atingir a iluminação é algo tão simples assim?" "Como pessoas comuns, podemos nós a qualquer momento atingir a iluminação?"
No Japão medieval, para um crente leigo, especialmente uma mulher, perguntar sobre assuntos budistas a um sacerdote poderia ser tomado como falta de respeito à autoridade sacerdotal. Embora sua pergunta tenha sido feita a favor de seu esposo doente, Myoho deve ter-se sentido pouco confortável tendo de escolher entre buscar um entendimento mais aprofundado de sua fé, ou meramente continuar mantendo o seu prescrito lugar na sociedade.
Percebendo isto, Nitiren Daishonin primeiro louva Myoho por seu espírito de busca. Na verdade, o começo da carta é repleto de louvor e apreciação. "É uma rara fonte de boa fortuna para voce inquirir sobre o Sutra de Lótus e indagar seu significado. "Sua ação de questionar sobre o Sutra de Lótus está entre os seis atos difíceis. Isto é uma indicação certa de que se a senhora abraçar o Sutra de Lótus, tornar-se-á um Buda em sua presente forma."
"A senhora perguntou se alguém pode atingir o estado de Buda apenas por recitar Nam-myoho-rengue-kyo, e esta é a mais importante de todas as questões." Daishonin era perspicarzmente cônscio de que conhecimento e entendimento dão origem à confiança e autoconfiante fé, enquanto que a repressão da dúvida que surge naturalmente no decorrer de nossa prática, conduz a fé cega crivada de medo e ansiedade. Por isso, Daishonin encoraja Myoho a desafiar suas dúvidas e a fazer perguntas livremente na pesquisa das verdades Budistas.
Explicando que Nam-myoho-rengue-kyo, sendo a essência do Sutra de Lótus, contém todos os benefícios do Budismo, Daishonin ensina a Myoho - e a todos nós - que quando pessoas comuns como nós recitamos o daimoku com fé em nossa natureza de Buda inata, podemos arremessar a luz da esperança até mesmo dentro do mais escuro canto de nossos corações, como uma lanterna iluminando "um lugar que tem sido escuro por cem, mil ou dez mil anos"; que podemos mudar qualquer coisa que por muito tempo pensamos ser impossível mudar, e desfrutar de felicidade nunca sonhada; que certamente podemos atingir a iluminação quaisquer que sejam as nossas circunstâncias atuais.
"Da mesma forma, incluso dentro do título de Nam-myoho-rengue-kyo, ou daimoku, está o sutra inteiro… o título é para o sutra assim como os olhos são para o Buda."
A simples frase Nam-myoho-rengue-kyo contém a totalidade do Sutra de Lótus, o qual é a culminação dos ensinamentos de Sakyamuni. Usando metáforas e citando outras escrituras, Daishonin explica o porquê disto. Antes desta passagem, ele escreve que o Sutra de Lótus revela nossos corpos, mentes e ações como os dos Budas, e aqueles que abraçam e acreditam em até mesmo uma frase ou verso do Sutra de Lótus podem atingir o estado de Buda.
Embora seja o título do sutra, Nam-myoho-rengue-kyo também contém sua essência. Daishonin compara isto com o caráter essencial das pessoas que pode ser revelado nos seus olhos ou, com uma nação inteira que pode ser expressa no seu nome. Então ele conclui: "Da mesma forma, incluso dentro do título de Nam-myoho-rengue-kyo, ou daimoku, está o sutra inteiro, consistindo de todos os oito volumes, vinte e oito capítulos, e 69.384 caracteres, sem a omissão de um único caractere." Ele apóia sua conclusão com textos de Po Chü-I, um famoso poeta chinês, e de Miao-lo, um erudito da escola T'ien-t'ai, da China.
O Sutra de Lótus ensina o potencial universal para o estado de Buda dentro da vida de todas as pessoas. No segundo capítulo, Sakyamuni declara para seu discípulo: "Sharihotsu, voce deve saber / que no início eu fiz um juramento, / esperando tornar todas as pessoas / iguais a mim, sem nenhuma distinção entre nós"(The Lotus Sutra, Burton Watson, pag.36). Aqui, Sakyamuni indica que todas as pessoas podem elas próprias revelarem-se como Budas. Por esta razão a vida de cada pessoa, não importando como ela ou ele possa aparentar neste momento, é merecedora do maior respeito. Portanto, de acordo com o Sutra de Lótus felicidade reside na auto- realização, e não na procura de benções de uma divindade externa. O que mais interessa é ter fé em nosso verdadeiro potencial, e nossos esforços para externá-lo na sua mais completa proporção.
O potencial de compaixão, sabedoria e coragem de cada pessoa é igual ao de Buda. Como fundador do Budismo, Sakyamuni começou pregando seus profundos ensinamentos depois de ter despertado para o supremo potencial existente em todas as pessoas incluindo ele próprio. Embora o supremo potencial delas possa ainda não ter sido realizado, todas as pessoas merecem nosso mais profundo respeito por possuí-lo. Além disso, os que estão se esforçando para o despertar de seus estados de Buda pela preservação do Sutra de Lótus serão honrados pelos seus nobres esforços. Como injunção final de Sakyamuni no sutra: "Se voce vê uma pessoa que aceita e preserva este sutra, voce deve levantar-se e saudá-la, mostrando-lhe o mesmo respeito que voce deve ter a um Buda"(LS28, 324).
A universalidade do estado de Buda como exposta no Sutra de Lótus está incorporada em Nam-myoho-rengue-kyo, a lei fundamental da vida e do universo. Portanto, Nam-myoho-rengue-kyo é mais do que uma simbólica representação do sutra; é o alicerce sobre o qual o sutra se mantém. Como Daishonin escreve, "Nam-myoho-rengue-kyo não é apenas o âmago dos ensinamento da existência de Sakyamuni, mas também o coração, a essência e o princípio máximo do Sutra de Lótus" ("Isto É o Que Eu Ouvi,"WDN, 860).
" Todas as coisas têm seu ponto essencial, e o coração do Sutra de Lótus é seu título de Nam-myoho-rengue-kyo, ou o daimoku. Realmente, se você o recita pela manhã e à tardinha, você está lendo corretamente o Sutra de Lótus por inteiro…"
A questão que induziu Nitiren Daishonin a escrever esta carta surgiu no meio da atmosfera geral da comunidade Budista cotidiana. Era uma época na qual os sacerdotes Budistas enfatizavam rituais esotéricos e formalidades. As pessoas eram ensinadas que a prática Budista apropriada incluía copiar sutras ou atender aos serviços de preces, ou ouvir os sermões de um eminente sacerdote, de forma que tais rituais e formalidades tornaram-se uma norma. Por conseguinte, experiência religiosa em Budismo era vista como algo que requeria a mediação de sacerdotes. Budismo tornou-se algo que as pessoas comuns assistiam autoridades praticar, e não algo que elas próprias experimentassem diretamente. Num clima espiritual como este, era bem natural que Myoho estranhasse se a própria pessoa recitando Nam-myoho-rengue-kyo seria o suficiente.
Sakyamuni viajou de cidade em cidade para partilhar seus ensinamentos com as pessoas, escravas ou reis igualmente. Muitos séculos depois, porém, seus ensinamentos tornaram-se propriedade exclusiva dos sacerdotes. Pelo tempo em que o Budismo floresceu no Japão medieval, os ensinamentos de Sakyamuni haviam se transformado em mero ornamento espiritual, um símbolo de status da classe dominante. Cercado destas condições, Daishonin revelou a jóia de todos os ensinamentos Budistas. Estava escondida no Sutra de Lótus como Nam-myoho-rengue-kyo, e ele ensinou a prática de recitar esta frase para felicidade de si próprio e dos outros. Este ensinamento e sua prática eram simples e acessíveis para as pessoas comuns, cuja maioria era analfabeta e não poderia nem copiar nem recitar os sutras escritos em clássico chinês.
Mas, isto não é muito simples apenas recitar Nam-myoho-rengue-kyo? Enfocando tal dúvida, Daishonin explica nesta carta a profundidade de sua simples prática.
" Todas as coisas têm seu ponto essencial." Aqui Daishonin explica que Nam-myoho-rengue-kyo é a essência do Sutra de Lótus; portanto, quando recitamos Nam-myoho-rengue-kyo, é a mesma coisa como recitar o sutra inteiro. "Desse modo," Daishonin continua, "se voce incessantemente recitar o daimoku, estará lendo o Sutra de Lótus continuamente." Os volumosos trabalhos da escola T'ien-t'ai da China também atestam a profundidade do daimoku, diz Daishonin.
Um coisa simples não tem de ser simplística. Da mesma forma como podemos nos beneficiar de um supercomputador simplesmente ao ligar sua tomada, podemos também revelar-nos como Budas simplesmente recitando Nam-myoho-rengue-kyo como uma afirmação de nosso próprio inato estado de Buda.
"Um ensinamento tão fácil de manter e de praticar como este foi exposto para o bem de todos os seres vivos no maligno mundo destes últimos dias.
Nos supostos Últimos Dias da Lei, é dito que a verdade do Budismo de Sakyamuni está obscurecida pela corrupção clerical e que o sofrimento das pessoas aumenta por causa da confusão espiritual delas. Nos Últimos Dias da Lei, por conseguinte, um profundo ensinamento é necessário para aliviar a confusão das pessoas. Sua prática, porém, deve ser facilmente entendida e levada adiante por pessoas comuns, como Daishonin explica aqui.
A união do simples e do profundo em Nam-myoho-rengue-kyo é uma expressão da imensa compaixão de Daishonin como o Buda dos Últimos Dias da Lei. Pode ser dito que, por causa de ter sido tão grande o desejo de Daishonin de possibilitar todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei a atingirem o estado de Buda, ele concentrou sua profunda sabedoria para perceber a realidade essencial de todas as pessoas como seus inatos estados de Buda. Daishonin entendeu que, através da simples prática de recitar Nam-myoho-rengue-kyo associada a uma fervorosa expectativa de revelar o supremo potencial interno, as pessoas comuns podiam trazer à tona o mesmo estado de vida que Sakyamuni e Daishonin haviam alcançado, não importando seus graus de conhecimento Budista.
De uma perspectiva, os Últimos Dias da Lei é um tempo de corrupção e confusão. Entretanto, da perspectiva de Daishonin é o tempo para que seu verdadeiro ensinamento - Nam-myoho-rengue-kyo - seja difundido amplamente. As pessoas não devem ser simplesmente deixadas com seus sofrimentos, entregando-se elas próprias à vazias e esotéricas práticas religiosas. Pelo contrário, seus sofrimentos devem ser transformados no desejo pela busca de seus verdadeiros potenciais e servirem como um trampolim para o desenvolvimento de suas forças internas. Daishonin enfatiza a importância de dissipar a confusão das pessoas sobre o Budismo, de forma que elas possam evitar o prolongamento sem propósito de seus sofrimentos.
"E porque que eles aparentam ser verdadeiros sacerdotes, as pessoas acreditam sem a menor dúvida no que eles pregam. Portanto, sem se darem conta, as pessoas que os seguem tornam-se inimigas do Sutra de Lótus e do Buda Sakyamuni."
O quarto trecho do Sutra de Lótus que Daishonin cita é a famosa passagem da qual o termo kossen-rufu deriva. Kossen-rufu é a pronúncia em Japonês para a máxima do sutra "divulgar amplamente [o Sutra de Lótus]" como aparece na célebre tradução chinêsa de Kumarajiva. No capítulo "Casos Antigos do Bodhisattva Rei dos Remédios" do sutra, Sakyamuni incita um dos discípulos deste bodhisattva: "Depois que eu entrar em extinção, no período dos últimos quinhentos anos voce deve divulgar amplamente [o Sutra de Lótus] por toda a parte de Jambudvipa8 e nunca permita que esta divulgação seja interrompida, nem permita que demônios maus, pessoas do diabo, seres celestiais, dragões, os demônios yakshas9 ou kumbhanda10 aproveitem-se e tirem vantagem!"(SL23, 288).
Kossen-rufu significa a criação de uma sociedade pacífica através da divulgação ampla do Budismo, especialmente o ensino de Nam-myoho-rengue-kyo, que foi o principal objetivo de Daishonin. Como ele cita em uma carta intitulada, "Retribuindo Dívidas de Gratidão": "No Japão, China, India, e em todos os outros países de Jambudvipa, cada pessoa, independentemente de ser sábia ou ignorante, irá pôr de lado outras práticas e juntar-se à recitação de Nam-myoho-rengue-kyo. Esta doutrina nunca foi ensinada antes. Aqui, em toda a terra de Jambudvipa, em todos os 2.225 anos desde o falecimento do Buda, nem uma única pessoa a recitou.
Nitiren sozinho, sem poupar sua voz, agora recita Nam-myoho-rengue-kyo, Nam-myoho-rengue-kyo…. Se a compaixão de Daishonin é verdadeiramente imensa e abrangente, Nam-myoho-rengue-kyo irá difundir-se por dez mil anos e mais, por toda a eternidade, pois contém o poder benéfico de abrir os olhos cegos de cada ser vivo do Japão, e de bloquear as estradas que levam ao inferno de incessantes sofrimentos." (WND, 736).
De acordo com o conceito dos "cinco períodos de quinhentos anos"11 como descrito no Sutra Grande Coleção, após o falecimento do Buda Sakyamuni o Budismo passa por vários estágios de divulgação e prosperidade, e de corrupção e confusão. Através da história budista, vários foram os ensinos divulgados e que declinaram em diferentes períodos e lugares. Nos Últimos Dias da Lei, durante os quais a corrupção e confusão do Budismo se tornam exaltadas, um ensino profundo porém de fácil acesso se torna necessário. Daishonin identificou e revelou este ensinamento tão necessário para os Últimos Dias da Lei como Nam-myoho-rengue-kyo - a essência do Sutra de Lótus.
Como o trecho do sutra acima citado e os próprios escritos de Daishonin deixam claro, o trabalho dos praticantes do Budismo nos Últimos Dias da Lei é dobrado. Somos requisitados a divulgar o ensino de Nam-myoho-rengue-kyo amplamente através do mundo por amor à paz e pela felicidade das pessoas. A propagação do Budismo de Nitiren Daishonin, todavia, acarreta muitos grandes obstáculos, os quais o sutra metaforicamente descreve como demônios. Um segundo, e muitas vezes esquecido aspecto de kossen-rufu, por conseguinte, é o de superar aqueles obstáculos à divulgação do ensino de Daishonin e proteger sua integridade contra confusão e corrupção. Estes dois aspectos de kossen-rufu, ou seja, divulgar o ensinamento e superar os obstáculos a sua propagação, são inseparáveis; estão integrados à prática Budista nos Últimos Dias da Lei. Podemos divulgar Nam-myoho-rengue-kyo "tornando-o amplamente público" através do mundo inteiro, agora e no futuro, como Daishonin desejou e de acordo com o Sutra de Lótus. Entretanto, somente podemos fazer isto se não permitirmos que o fluxo de seu ensinamento seja cortado, nem que aqueles que obstruem sua propagação aproveitem-se e tirem vantagem.
Em "A Única Frase Essencial," Daishonin ressalta que muitas pessoas de seus dias foram iludidas pelos adornos sacerdotais - aspectos tais como eminência, rituais e cerimônias elaboradas, as suntuosas edificações de adoração nas quais eles oravam, etc. Os seguidores estimavam os ensinamento destes sacerdotes sem considerarem seus conteúdos. O declínio do Budismo nos Últimos Dias da Lei é devido, em parte, à corrupção dos sacerdotes e suas distorções do Budismo. A outra metade da culpa vai para as pessoas que comportavam-se com ingenuidade e ignorância. Daishonin conseqüentemente exprime sua preocupação: "Portanto, sem se darem conta, as pessoas que os seguem tornam-se inimigas do Sutra de Lótus e do Buda Sakyamuni."
O fundamento do Budismo é sincera fé, como o próprio Daishonin declara, "Ter fé é a base do Budismo" ("O Real Aspecto do Gohonzon,"WND, 832). Todavia, sinceridade que carece de razão causa miséria. O Daishonin ressalta que "As pessoas são ignorantes de suas faltas." Porém, do ponto de vista do Budismo, embora as pessoas possam ser sinceras em seus intentos, se seguirem falsos ensinamentos, não podem escapar de suas responsabilidades por darem apoio à distorção do Budismo. Isto é o que é chamado de "ofensa de cumplicidade na difamação" pela qual as pessoas sofrerão o mesmo grau de retribuição dos verdadeiros difamadores da Lei.
Por esta razão, aqueles que despertaram para o verdadeiro ensino de Nam-myoho-rengue-kyo têm a responsabilidade de ressaltar todas as distorções do Budismo e de ajudar os outros a superarem suas ilusões sobre o Budismo. Enquanto a maioria das pessoas estava avaliando as escolas Budistas pela boa aparência dos sacerdotes, Myoho e seu esposo reconheceram a verdade do Budismo nos ensinamentos de Daishonin e começaram a recitar Nam-myoho-rengue-kyo afim de expressarem seus inatos estados de Buda. O Daishonin escreve para louvá-los pela rara fé que eles têm, não manchada pelas confusões do Budismo em seus arredores. Além disso, ele apoia a confiança deles na profundidade e imenso poder de Nam-myoho-rengue-kyo, ou, "a única frase essencial."




- Jambudvipa: De acordo com a visão da antiga India, um dos quatro continentes situados nas quatro direções ao redor do Monte Sumeru. Jambudvipa está localizado ao sul e é o lugar onde os Budas aparecem. É muitas vezes tido como referindo-se ao mundo inteiro.
- yakshas (Skt): Um tipo de demônio. Originalmente, seres que serviam a Kubera, o deus da riqueza na antiga mitologia da India. Os yakshas foram incorporados ao budismo como um dos oito tipos de seres não-humanos que trabalham para proteger o Budismo. Os yakshas são tidos como seguidores do rei celeste Vaishravana e protetores do norte, embora alguns sutras os retratem como demônios que atormentam e prejudicam os seres humanos.
- kumbhanda (Skt): Uma classe de demônios. São considerados atendentes de Crescimento e Desenvolvimento, um dos quatro reis celestiais.
- "os cinco períodos de quinhentos anos": Cinco períodos consecutivos descritos no Sutra Grande Coleção, que prediz o curso do Budismo nos primeiros duzentos e cinquenta anos seguintes à morte de Sakyamuni, uma época na qual é esperado que o Budismo seja divulgado, prospere e eventualmente decline. Numa seqüência cronológica, os cinco períodos de quinhentos anos são:
(1) a idade de se chegar à emanicipação,
(2) a idade da meditação, (3)
a idade do estudo e recitação dos sutras e de receber preleção sobre eles,
(4) a idade da construção de templos e relicários, e
(5) a idade das contendas e disputas na qual os ensinos de Sakyamuni serão obscurecidos e perdidos. Os Períodos (1) e (2) constituem os Primeiros Dias da Lei; os Períodos (3) e (4), os Intermediários Dias da Lei, e o Período (5), o começo dos Últimos Dias da Lei.

Postado por BELAS HISTORIAS BUDISTAS às Sábado, Janeiro 03, 2009

A Iluminação pelo Sutra de Lótus

(Hokke Shoshin Jobtsu Sho)

Questão:
Há qualquer evidência para provar que devemos abraçar em particular o título do Sutra de Lótus da mesma maneira que abraçamos o título de Buda?
Resposta: O Sutra de Lótus diz: "O Buda dirigiu-se às guardiãs do Budismo dizendo: "Sr protegerem aqueles que crêem firmemente no título do Sutra de Lótus, obterão mais boa sorte do que poderão medir". As guardiãs na citação acima eram as dez filhas de Kishimojin1. Elas juraram diante de Sakyamuni proteger aqueles que abraçam o título do Sutra de Lótus que é o Nam-myoho-rengue-kyo. O iluminado, muito satisfeito com o juramento, elogiou-as altamente e disse que a boa sorte que elas poderiam acumular era imensurável. Grandiosos sem dúvida são os seus benefícios e virtuoso o seu comportamento. A citação precedente encoraja-nos a recitar o Nam-myoho-rengue-kyo durante todo o tempo, não importando o que fazemos em nossas vidas diárias.
O Myoho-rengue-kyo2 é o princípio básico que esclarece que todos os seres humanos, Bonten e Taishaku, Sharihotsu e Mokuren, e os Bodhisattvas Monju e Miroku, sem exceção, compartilham a mesma natureza de Buda, e que as naturezas iluminadas são idênticas à Lei Mística que todos os Budas descobrem dentro de si mesmos. Uma vez que recita o Nam-myoho-rengue-kyo, a voz de recitar fará surgir a natureza de Buda em todas as coisas, tanto sensíveis como insensíveis _ todos os Budas, todas as leis, Bodhisattvas e Shomon, Bonten e Taishaku, Emma que é dito ser o Lorde do inferno, o sol a lua e as estrelas, todos os deuses no céu e na terra, assim como naqueles que estão nos estados de Inferno, Fome, Animal, Ira, Tranqüilidade e Alegria. O poder do Myoho-rengue-kyo é infinito em termos de espaço e tempo.
O Myoho-rengue-kyo que está nas profundezas da vida de uma pessoa deve ser estabelecido como objeto de adoração. Se adora este Gohonzon e recita o Nam-myoho-rengue-kyo, a natureza de Buda até aqui dormente surgirá dentro de si. Então, a senhora é um Buda. Para dar exemplo familiar, se um pássaro numa gaiola canta, os pássaros silvestres descerão do céu para juntarem-se ao redor do cativo. Assim que seus amigos circundam a gaiola, o pássaro faz um desesperado esforço para escapar. De maneira semelhante, se recitamos o Nam-myoho-rengue-kyo oralmente, a nossa natureza de Buda será despertada sem falha. A mesma natureza em Bonten e taishaku também surge para nos proteger, e aquela natureza em Budas e Bodhisattvas começa a agir com grande alegria. Daí a passagem do Sutra de Lótus: "Se há uma pessoa que abraça a Lei Mística mesmo por um curto tempo, eu, assim como todos os outros Budas, muito nos alegraremos."
Pelas três existências da vida que cobrem desde o infinito passado ao presente e ao eterno futuro, todos os Budas atingiram ou atingirão o Estado de Buda com a semente de Myoho-rengue-kyo. É a Lei Mística que todos os Budas aparecem para expor e que possibilita a todos os seres humanos a atingirem o Estado de Buda. Com isto arraigado profundamente em sua mente, deve recitar o Nam-myoho-rengue-kyo de todo o seu coração, sem vaidade, preconceito ou apego, de tal modo que possa a tornar-se um Buda.
Nitiren

FUNDO DE CENA

Nitiren Daishonin escreveu este Gosho em 1277 e enviou-o a uma crente chamada Myoho-ama, que vivia na Província de Suruga (atual Prefeitura de Shizuoka). Isto foi dois anos antes da perseguição de Atsuhara suceder nos crentes de Daishonin em uma área próxima ao Monte Fuji, motivando Daishonin a inscrever o Dai-Gohonzon. Quanto à recebedora deste Gosho, os detalhes são desconhecidos. Julgando da importância e profundidade deste escrito, contudo, ela parece Ter sido uma crente fervorosa e pura a quem seu mestre profundamente confiava.
Neste Gosho, que é escrito na forma de diálogo, Nitiren Daishonin expõe que o Sutra de Lótus é o único ensino que possibilita a todos os seres humanos atingirem a verdadeira iluminação.
Além disso, Daishonin esclarece que aquele que se dedica à propagação da Lei Mística de acordo com a predição de Sakyamuni, é o Buda Original de Mappo, a despeito de seu estado aparentemente humilde de vida. A presente tradução é a última parte deste Gosho.


1 - As Dez Filhas de Kishimojin: São coletivamente chamadas Jurassetsunyo. Kishimojin é um demônio feminino da qual se diz que criou suas filhas alimentando-as com crianças dos outros. Kishimojin e suas filhas representam as mulheres malvadas e de caráter furioso nos ensinos prévios ao Sutra de Lótus. Contudo, repreendidas pelo Buda e arrependendo-se de seus mais pecaminosos atos, juraram proteger os crentes no Verdadeiro Budismo de acordo com o 26° Capítulo do Sutra de Lótus.
O significado de Jurassetsunyo do ponto de vista filosofia da vida é que todo ser humano tem possibilidade de agir tanto como bom ou como mau, de acordo com os fatores influentes dos arredores. Devido à influência iluminadora da Lei Mística, o nam-myoho-rengue-kyo, todas as pessoas podem vir a mostrar as suas mais favoráveis qualidades em seu próprio e único modo.
2 - Myoho-rengue-kyo: do ponto de vista do Budismo de Daishonin, indica o nam-myoho-rengue-kyo. Sakyamuni revelou-o após profunda especulação da substância real da vida e do universo, que definiu como nam-myoho-rengue-kyo. Por outro lado, Nitiren Daishonin desenvolveu a iluminação de sakyamuni e penetrou na Lei subjacente à fusão harmoniosa entre cada vida individual e a substância original do universo. Ele declarou que a substância básica e última desta Lei é Nam-myoho-rengue-kyo e, além disso, incorporou-o na forma do Gohonzon.
3 – Bontem: Um dos deuses budistas que protege os crentes no Verdadeiro Budismo. Diz-se que vive no topo do monte Shumi (Sumeru) como um dos deuses budistas que governa o domínio da matéria. Ele representa as várias ações do universo para proteger aqueles que praticam o budismo de Nitiren Daishonin.
4 – Taishaku: Bontem e Taishaku são dois principais deuses padroeiros do budismo. Diz-se que ele é o rei dos deuses budistas no domínio dos desejos. Esteve presente na cerimônia do Sutra de Lótus e jurou proteger os crentes do Verdadeiro Budismo.
5 – Sharihotsu: Sariputra, em sânscrito. Entre os dez maiores discípulos de Sakyaminu, ele é bem conhecido como o "máximo em sabedoria". Ele nasceu numa família brâmane em Magadha, mostrando um notável brilho mesmo desde a infância. Embora tenha estudado e dominado todas as filosofias brâmanes, nunca esteve satisfeito com o conhecimento superficial e esteve sempre perplexo com os problemas básicos da vida. Então, na busca da verdade da vida, Sharihotsu praticou o budismo juntamente com o seu velho amigo, Mokuren, Impressionado pela profundeza do Budismo, ambos tornaram ativa parte na propagação do Budismo.
6 – Mokuren: Foi filho de uma rica família brâmane em Magadha. Primeiro, juntamente com Sharihotsu, estudou sob a orientação de Sanjaya Belathiputta, um dos seis principais pensadores nos dias de Sakyamuni. Contudo, insatisfeito com o ceticismo de Sanjaya, juntou-se à ordem de Sakyamuni para praticar o Budismo. Devido às suas excelentes habilidades inatas, Mokuren foi chamado de "máximo em força oculta" e foi um dos dez maiores discípulos de Sakyamuni.
7 – Monju: Como um líder dos Bodhisattvas no Budismo de Sakyamuni, apareceu em muitos sutras, desempenhando um importante papel no ensino budista. Cada Bodhsattva que aparece nos sutras representa vários atributos da vida humana. Entre eles, Monju é considerado como a idealização ou personificação da sabedoria.
8 – miroku: Miroki significa benevolência sem igual. Nascido numa família brâmane na Índia meridional, tornou-se um discípulo de Sakyamuni. Na cerimônia do Sutra de Lótus, ajudou o Buda a ensinar perguntando-lhe para que esclarecesse as dúvidas dos crentes. Do ponto de vista do Budismo de Nitiren Daishonin, o Bodhisattva Miroku indica Nitiren Daishonin e seus seguidores que fizeram seus adventos a fim de remover o sofrimento das pessoas.
9 – Emma: Acreditava-se que ele vivia no inferno para julgar os mortos e punir os pecadores para impedir-lhes de repetir suas pecaminosas ações.

A Virtude Invisível e a Recompensa Visível

(Intoku Yoho Gosho, pág. 1178)

Nada é mais terrível numa pessoa do que a deslealdade. Visto que o seu irmão mais velho e o seu irmão mais novo, por vontade própria, tornaram-se inimigos do Sutra de Lótus e o abandonaram, eles são os desleais, e o senhor em si não tem culpa.
Porém, se negligenciar cuidar das esposas deles, com certeza estará agindo de forma desleal. Se o seu feudo for aumentado, proporcione-lhes o necessário a partir de seus próprios estoques, não poupando esforços para assegurar o bem-estar delas. Somente se fizer isso, seus falecidos pais o protegerão sem falta, e as orações de Nitiren também serão respondidas.
Não obstante que falhas as esposas de seus irmãos possam exibir, não preste atenção.
Em vista dos fatos, acredito que simplesmente agir como recomendo, suas terras serão ainda mais ampliadas e o senhor obterá a confiança dos outros.
Como tenho dito com freqüência, a virtude invisível gera recompensa visível.
Embora todos os seus colegas samurais tenham feito calúnias a seu respeito ao seu lorde, e ele próprio tenha acreditado que essas acusações fossem verdadeiras, pelo fato de o senhor ter, durante alguns anos, acalentado honestamente um forte desejo quanto à salvação de seu lorde em sua próxima vida, pôde receber esse benefício.
E, isto é apenas o início, esteja convicto de que a sua grande recompensa ainda está por vir.
Além disso, o senhor deve manter um bom relacionamento com os outros praticantes, não vendo, ouvindo, nem apontando nada a respeito deles que possa desagradá-lo.
Deve permanecer calmo e continuar oferecendo orações. O que mencionei anteriormente não é meramente a minha própria opinião. É o âmago dos mil volumes das escrituras externas e dos cinco mil volumes da escrituras internas.
Com meu profundo respeito,
Nitiren Em 23 de abril(END Vol. VI, pág. 61)
Fundo de Cena
Acredita-se que esta carta tenha sido escrita para Shijo Kingo em abril de 1278, enquanto Nitiren Daishonin estava vivendo no Monte Minobu. A mesma sugere que a situação de Shijo Kingo tinha começado a melhorar. No décimo mês do mesmo ano, suas terras foram aumentadas. Seguindo o conselho de Nitiren, o samurai conseguiu recuperar a confiança e o favor de seu lorde, sanando o rompimento que os havia separado desde 1274.
Como resta apenas um fragmento deste Gosho, o conteúdo da parte precedente é desconhecido. Contudo, parece que os irmãos de Shijo Kingo haviam renunciado à fé no Sutra de Lótus e também abandonado suas obrigações familiares; e Nitiren Daishonin recomenda a Shijo Kingo que providencie o necessário para as esposas deles. Essa conduta, Nitiren Daishonin, não é apenas honrada e adequada, mas também possibilita conquistar o respeito dos outros.
Em seguida, citando um ditado bastante conhecido, ‘a virtude invisível gera a recompensa visível’, Nitiren Daishonin declara que os benefícios que Shijo Kingo recebeu são efeitos de sua firme fé, e que o benefício supremo da iluminação é vindouro.
Ele conclui incentivando Shijo Kingo a não tomar conhecimento dos efeitos dos outros praticantes e a manter um bom relacionamento com eles.

Acredita-se que o manuscrito original deste Gosho tenha sido redigido em doze folhas de papel, sendo que as primeiras nove tenham sido perdidas.
Das três, a décima página foi preservada num templo e a décima primeira e a décima segunda em outro. Só as páginas onze e doze foram incluídas nas escrituras em japonês (Gosho Zenshu) sob o título: ‘Virtude Invisível e a Recompensa Visível’. A página dez foi inicialmente considerada um fragmento independente, denominado Fuko Gosho (Sobre Deslealdade), e não incluída no Gosho Zenshu.
Entretanto, estudos mais recentes indicam que a página dez é, na realidade, a que precede imediatamente ‘A Virtude Invisível e a Recompensa Visível’.

A Lei Causal da Vida

(Dosho Domyo Gosho - Páginas 1114 a 1115)

Espero que a senhora leia repetidamente esta carta, juntamente com a esposa de Toshiro. O sol dispersa a escuridão, por mais profunda que seja. O coração (ignorante) de uma mulher pode ser comparado à escuridão total, e o Sutra de Lótus ao sol. (dando um outro exemplo), embora os bebês desconheçam suas mães, estas jamais esquecem os seus filhos. O Buda Sakyamuni é como se fosse a mãe, e as mulheres são como suas filhas. Se a mãe e as crianças tiverem em mente uma às outras, jamais se separarão. Entretanto, caso apenas uma pense sobre a outra, elas estarão unidas em algumas ocasiões, mas separadas em outras. O Buda é como a pessoa que sempre acalenta os outros, enquanto que as mulheres são como as pessoas que não fazem assim. Se procurarmos realmente o Buda, ele jamais deixará de revelar-se a nós.
Mesmo chamando uma pedra de jóia, ela jamais se transformará em jóia. E a jóia não se transformará em pedra, por mais que seja assim chamada. Em nossa época, todas as doutrinas da Nembutsu e de outras seitas, baseadas nos ensinos provisórios do Buda, são como pedras. Embora as pessoas considerem a doutrina Nembutsu como o Sutra de Lótus, ela não é de modo algum, o Sutra de Lótus. Além disso, mesmo que elas caluniem o Sutra de Lótus, o seu valor continua inabalado, assim como a jóia não se transforma jamais em simples pedra.
Não faz muito tempo, viveu na China um mau governante chamado Imperador Hui-tsung1. Ludibriado por um bonzo taoista, ele destruiu todas as estátuas do Buda e os sutras. E ainda ordenou que os bonzos budistas e as monjas renunciassem ao clerado; todos obedeceram, com exceção de um bonzo chamado, Fa-tao2, que não se intimidou diante da ordem imperial. Por esse motivo, ele foi marcado a fogo na face e exilado ao sul do rio Yang-tzé. Nitiren assemelha-se ao bonzo Fa-tao por ter nascido numa época em que a classe governante confia na seita Zen que, sob todos os aspectos, é tão herética quanto o Taoismo, e por ter encontrado grandes perseguições.
Sinto que não é fato corriqueiro a senhora haver, apesar de ter nascido como mortal comum e viver agora em Kamakura (sede do governo militar) abraçado ao Sutra de. Lótus sem se influenciar pelos olhos inquiridores dos outros, e sem apegar-se à sua própria vida. Só posso imaginar que isso é como se fosse uma jóia mágica que, segundo se afirma, torna pura a água lamacenta que entra em contato com ela. Ou então, parece-se com aquela que aprende alguma coisa nova de um sábio e confia nas palavras desse homem e compreende que estão cheias de razão. Será que isso acontece porque o Buda Sakyamuni e os Bodhisattvas Fuguen3 Yakuo4 e Shukuoke estão vivendo em seus corações? O Sutra de Lótas diz que as pessoas em todo o mundo podem crer no sutra graças à ajuda do Bodhisattva Fuguen.
A mulher é como se fosse o cipó, e o homem como o pinheiro. Sem o pinheiro, o cipó não pode ficar de pé nem por um instante. Apesar disso, a senhora enviou seu marido a esta Ilha de Sado, nesta época turbulenta, quando lhe faltam inclusive criados fiéis. Isso demonstra que a sua fé é mais sólida que a terra. Certamente os deuses terrestres devem compreender esse fato. A sua fé é mais elevada que o céu, e os deuses celestes Bontem e Taishaku6 devem também estar cientes disso. O Buda ensinou que as pessoas, desde o momento do nascimento, são servidas por dois mensageiros do céu, Dosho e Domyo, que as acompanham de perto como se fossem a sombra das pessoas, jamais as deixando mesmo por um segundo. Revezando-se, eles vão aos céus contar os bons e maus atos da pessoa, tanto importantes como não importantes, nos mínimos detalhes. Portanto, os céus já devem estar cientes da sua fé. Quão encorajador!
Em Abril de 1272
Uma Resposta à esposa de Shijo Kingo. Nitiren
1 - Hui-tsung: oitavo governante da dinasia Sung da China (1082-1135). Embora tenha subido ao poder em 1100, pouco se interessou em governar. Ao invés disso, desenvolveu plenamente o seu talento na caligrafia e pintura. Dentro de sua política religiosa, encorajou o Taoísmo nativo da China e tentou destruir o Budismo. Em 1127, a sua dinastia (Sung Setentrional) foi destruída por uma tribo mongólica.
2 - Fa-tao: um bonzo-chefe budista (1086-1147) que viveu durante o reinado do imperador Hui-tsung. Em 1119, o imperador Hui-tsung emitiu uma ordem imperial para dissolver as ordens budistas, e Fa-tao protestou contra o imperador. O imperador, furioso com a advertência de Fa-tao, mandou que ele fosse marcado a fogo na face e exilado ao sul do rio Yang-tzé.
3 - Bodhisattva Fuguen (Samantabhadra em sâscrito): juntamente com Monju (Manjusri), é um dos líderes dos bodhisattvas dos. ensinos teóricos. Ele representa as faculdades da razão e do saber. No 28º capítulo do Sutra de Lótus (Fuguen), ele fez um juramento de proteger o Sutra de Lótus e seus crentes.
4 - Bodhisattva Yakuo (Bhasajya em sânscrito): bodhisattva que serve às pessoas dando-lhes remédios para curar suas moléstias físicas e espirituais.
5 - Bodhisattva Shukuoke: bodhisattva que aparece no 23º capítulo (Yakuo) do Sutra de Lótus, desempenhando o papel de interrogador do Buda.
6 - Bonten e Taishaku: Afirma-se que Bonten, um dos principais dpeuses budistas, vive" no mundo da matéria, sobre o monte Sumeru, e governa o mundo "saha". Taishaku é também um dos principais deuses protetores do Budismo. Originalmente era o deus do trovão da mitologia indiana primitiva, e foi adotado como divindade protetora do Budismo. Como o apoio dos Quatro Reis Celestes, ele comanda os trinta e três deuses que residem no alto do monte Sumeru (é diferente do deus Taishaku que aparecia sob diversas formas para testar o espírito de procura de Sakyamuni quando este buscava a iluminação).

A Prática dos Ensinos do Buda

GOSHO - (Nyossetsu Shugyo Sho - páginas 501 a 502)


Está agora claro que os que nasceram nesta terra e aceitaram a fé neste sutra quando, a sua propagação é empreendida nos últimos Dias da Lei sofrerão perseguições ainda mais severas do que as que ocorreram na vida do Buda. Naquela época, o mestre foi um Buda e seus discípulos grandes Bodhisattvas e Arhats. Além disso, o Buda expôs o Sutra de Lótus somente após ter ensinado completamente e disciplinado todos os que estavam para ouvi-lo, inclusive os deuses, os humanos, tanto os leigos como os ordenados, e as oito espécies de seres inferiores.Agora, nos Últimos Dias da Lei, mesmo que o ensino, a capacidade das pessoas e o estágio para a propagação estejam prontos, devemos esperar ainda mais hostilidades, pois esta é a era da incessante confrontação após a Lei Pura ter sido perdida. Além disso, o mestre não é senão uma pessoa comum e seus discípulos vieram entre os ímpios, manchados pelas três impurezas. É por isso que o virtuoso mestre é rejeitado e os maus bonzos são pelo contrário aproximados.O que é mais, uma vez que se tornou um seguidor ou discípulo do verdadeiro devoto do Sutra de Lótus cuja prática está de acordo com os ensinos do Buda, está destinado a defrontar os três poderosos inimigos. Portanto, do exato dia em que começou a ouvir este ensino, deve estar plenamente preparado para defrontar as três espécies de perseguições que são certas de serem mais terríveis após o falecimento do Buda. Embora meus discípulos tenham já ouvido sobre isto, alguns ficaram aterrorizados quando perseguições maiores e menores nos atacaram, chegando ao ponto de abandonarem a sua fé. Não os adverti antecipadamente? Tenho estado ensinando diretamente do sutra --""Desde que há grande hostilidade e contenda contra este sutra mesmo enquanto o Buda vive, é certo de ser mais terrível após o seu falecimento." As palavras "é certo de ser mais terrível após o seu falecimento" que tenho estado repetindo dia e noite, aponta para este exato momento. Não há razão para ficar subitamente amedrontado quando na realidade vê ou ouve sobre eu sendo levado de minha habitação, ferido ou censurado oficialmente duas vezes e exilado a distantes províncias.Questão: O devoto que pratica de acordo com os ensinos do Buda pode desfrutar uma vida pacífica neste mundo. Por que então surgem incessantemente os três poderosos inimigos?Resposta: Sakyamuni defrontou nove grandes perseguições por causa do Sutra de Lótus. No distante passado, o Bodhisattva Fukyo foi ferido com bastões e pedras. Chu Tao Shung foi exilado para o Monte Su, o Bonzo Fa Tao foi marcado na face e Shishi-sonja foi decapitado. Tien-tai, o Grande, sofreu oposição das sete seitas setentrionais e três meridionais, e Dengyo, o Grande, foi ofendido pelas seis seitas na velha capital de Nara. O Buda, estes Bodhisattvas e os grandes santos foram todos devotos do Sutra de Lótus e, todavia, sofreram grandes perseguições. Se negar que eles praticaram de acordo com os ensinos do Buda, então onde pode encontrar os que praticaram? Esta é a era de conflito em que a Lei Pura foi perdida. Além disso, este mau país, o governador, seus ministros e até mesmo a população em geral estão, sem exceção, manchados pelo mal. Eles se opuseram ao verdadeiro ensino e, ademais, respeitaram doutrinas e bonzos heréticos. Os demônios, portanto, enfurecidos, invadiram a terra e estão causando os três perigos e sete calamidades.Que tempo desfavorecido é sem dúvida este em que Nitiren , sob ordem do Buda, nasceu nesta terra ! É impossível opor-se ao decreto do Lorde Buda. Assim, tenho posto completa fé no sutra e começado a batalha entre os ensinos provisórios e o verdadeiro. Vestindo a armadura da tolerância e cingindo a espada dos verdadeiros ensinos a bandeira do Myoho-rengue-kyo, a essência dos oito volumes inteiros do Sutra de Lótus. Retesando então o arco da declaração do Buda "a verdade não foi revelada" e entalhando a flecha de "honestamente abandonem os ensinos provisórios, montei na carreta puxada pelo grande boi branco e derrubei os ensinos provisórios. Atacando aqui e ali, refutei as seitas Nembutsu, Shingon, Zen Rtsu e outras. Alguns dos meus adversários fugiram precipitadamente, enquanto outros se renderam e ainda foram capturados, tornando-se meus discípulos. Repeli seus ataques e venci-os, mas uma multidão de inimigos estão para se opor ao único rei da Lei e ao punhado que o segue. Assim a batalha continua ainda hoje."A prática do Sutra de Lótus é Chakubuku, a refutação das doutrinas provisórias." Verdadeiro às letras deste dito dourado, os crentes de todos os ensinos provisórios e seitas serão finalmente vencidos e juntar-se-ão aos seguidores do rei da Lei. Tempo virá em que todas as pessoas entrarão no caminho do Estado de Buda, e a Lei Mística sozinha florescerá por toda a terra. Então, quando todas as pessoas estiverem recitando simultaneamente o Nam-myoho-rengue-kyo, o vento não vergará a ramagem ou os galhos e nem cairá torrencialmente a chuva para cavar a terra. O mundo tornar-se-á calmo e sereno como foi na era de Fu Hsi e Shen Nung na antiga China. Não somente as pessoas serão libertadas do infortúnio e desastre por todas as suas vidas, como também aprenderão a arte de viver longa e plenamente. Observe o tempo em que a eternidade da Lei e do homem será provada. Não pode haver a mínima dúvida a respeito da solene promessa no sutra para uma vida pacífica neste mundo.
FUNDO DE CENAEm maio de 1273, ainda sob a severa privação do exílio na Ilha de Sado. Nitiren Daishonin escreveu este Gosho a seus discípulos e seguidores. Estava então com 52 anos de idade e foi justamente um ano e meio após a Perseguição de Tatsunokuti, que ocorreu em 12 de setembro de 1271. Sua vida na ilha foi a mais desencorajante por causa do intenso frio e as raras provisões levadas a ele. No incidente de Tarsunokuti, Nitiren Daishonin completou a sua missão como Bodhisattva Jogyo, cumprindo as profecias do Sutra de Lótus e revelando-se Buda Original da Era de Mappo.Dentro e em volta da área de Kamakura, contudo, a perseguição aos seguidores de Daishonin tornaram-se insuportáveis e muitos abandonaram a fé. O mestre havia, como sabiam, quase sido morto em Tatsunokuti, e seu exílio a Sado era muito mais severo do que a vida aprisionada de hoje. Sua vida estava exposta ao perigo pelos heréticos inimigos. Os seguidores ficaram amedrontados e desencorajados. Eles se perguntavam porque Daishonin tinha que sofrer tais grandes perseguições. Alguns discípulos foram banidos de Kamakura, atirados à prisão, privados de suas propriedades ou expulsos. Daishonin estava bem ciente de seus sofrimentos e constantemente enviou-lhes encorajamento em todas as possíveis oportunidades. Este Gosho é um exemplo de como escreveu como se estivesse deixando seu último desejo e testamento.O título, "Prática dos Ensinos do Buda", literalmente significa praticar em exato acordo com os ensinos do Buda. Há duas interpretações disto. Uma é que Nitiren Daishonin viveu de acordo com os ensinos de Sakyamuni e cumpriu todas as profecias do Sutra de Lótus. Uma outra é que as pessoas nos Últimos Dias da Lei (Mappo) devem cumprir os ensinos de Daishonin. Para Daishonin, o "ensino" foi o Sutra de Lótus exposto por Sakyamuni, e para nós é o Nam-myoho-rengue-kyo das Três Grandes Leius Secretas que Nitiren Daishonin ensinou e também os seus ensinos compilados no Gosho, Nikkan Shonin, o 26.° Sumo Prelado, afirmou que o título indica as Três Grandes Leis Secretas - o objeto de adoração, invocação e o sumo santuário do Verdadeiro Budismo. "Os ensinos do Buda" correspondem ao verdadeiro objeto de adoração, Daí-Gohonzon, e a "Prática" é a recitação do Nan-myoho-rengue-kyo, ambos os quais requerem o lugar - o sumo santuário - no qual o Daí-Gohonzon está consagrado e é adorado. Nikkan Shonin também delineou a relação entre a "prática" e os "ensinos do Buda" em termos de mestre e discípulo, pessoa e Lei, e prática para si e para os outros. "Prática" indica o discípulo, a pessoa e a prática para si mesmo, enquanto os "ensinos do Buda" indica o mestre, a lei e a prática para os outros. Quando estes dois tornam-se unos, podemos verdadeiramente chama-los de prática dos ensinos de Daishonin.Nitiren Daishonin mostra neste Gosho que a verdadeira prática é o Chakubuku, isto é, transmitir o Verdadeiro Budismo a muitas pessoas, ajudando-as a dirigir vidas para a auto perfeição. Um mês antes de escrever este Gosho, Daishonin havia completado o "Kanjin-no Honzon Sho" (Sobre o Verdadeiro Objeto de Adoração) em abril de 1273 no qual explicou o Daí-Gohonzon e que todas as pessoas podem alcançar a iluminação. No "Kanjin-no Honzon Sho" revelou que a iluminação provém da firme fé no Gohonzon e enfatizou a importância da prática para si mesmo - Gongyo e Daimoku. A "Prática dos Ensinos do Buda" foi subseqüentemente escrito para esclarecer a importância da prática para os outros - Chakubuku.Qualquer filosofia sem a sua prática é uma idéia morta, e a prática sem filosofia não pode ser senão impulsiva e unilateral.
O importante é reconciliar a filosofia com a prática, pois a grandeza de uma filosofia somente é reconhecível quando brilha pelo comportamento e experiência da pessoa. Este Gosho, ensina-nos a praticar o Budismo de Daishonin com a nossa mente, palavras e ações.Todos desejam viver uma vida pacífica neste mundo.
O capítulo 'Yakussoyu' (a Parábola das Ervas) diz: "Os que crêem no Sutra de Lótus viverão pacificamente em sua presente existência e renascerão num bom lugar no futuro". Nitiren Daishonin, contudo, ensina Que quando uma pessoa pratica seus ensinos, os três poderosos inimigos surgirão sem falha. Podemos viver uma vida pacífica somente com uma constante luta contra estes três. Ele explica que uma vida pacífica não é uma vida livre de preocupação ou ansiedade, mas uma independente e realizada, isto é, nunca frustada por quaisquer problemas. No curso das nossas vidas, estamos sujeitos a defrontar dificuldades e privações por muitas vezes. Mas, desafiando-as e superando-as, podemos desenvolver a verdadeira independência. O homem vive na sociedade, e é portanto impossível vivermos uma vida calma e pacífica quando o nosso mundo é ainda abalado por guerras ou pela fome e seca. Daishonin diz neste Gosho que uma vida tranqüila somente pode ser conseguida dentro de uma sociedade pacífica.Chakubuku significa superar o mal e desenvolver o bem: é o único modo de subjulgar o egoísmo e construir a auto confiança.
"A prática do Sutra de Lótus é Chakubuku, a refutação das doutrinas provisórias." Este é o espírito do Buda Original e tem sido fervorosamente levado avante pela Soka Gakkai, como podemos ver através da dedicação dos nossos sucessivos presidentes.
Na análise final, a "prática dos ensinos do Buda" significa alcançar o Kossen-rufu através do Chakubuku.

A Felicidade neste mundo

GOSHO - (Shingo Kingo Dono Gohenji - Páginas 1143)

Não há maior felicidade para os seres humanos, que orar o Nam-myoho-rengue-kyo.
O sutra diz: "As pessoas lá (em minha terra) são felizes e tranqüilas. "Felizes e Tranqüilas" indica a alegria da Lei. Obviamente, você está incluído entre as "pessoas". "Lá" significa o mundo inteiro, o que inclui o Japão. "Felizes e tranqüilas significa saber que nossa vida - nosso corpo e mente, nós e nosso ambiente - e a entidade de Itinen Sanzen, e o Buda da liberdade absoluta. Não há maior felicidade que ter fé no Sutra de Lótus. Este nos promete "paz e segurança nesta vida e boas circunstância na próxima". Jamais permita que os impasses da vida o perturbem. Afinal, ninguém pode escapar dos problemas, nem mesmo santos ou sábios.
Apenas ore Nam-myoho-rengue-kyo e quando beber sakê, permaneça em casa com a sua esposa. Sofra o que tiver que sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimentos como a alegria como fatos da vida, e continue orando o Nam-myoho-rengue-kyo, não obstante o que aconteça. Então, experimentará a infinita alegria da Lei. Fortaleça a sua fé mais do que nunca.
Com meu profundo respeito,NitirenEm 27 de junho de 1276(Fonte: END, vol III, páginas 199)
Fundo de Cena
Nitiren Daishonin escreveu o presente Gosho, quando encontra-se em Minobu no verão de 1276. O endereçado, Shijo King, foi um samurai e médico que serviu a família Ema, uma ramificação do clã governante, Hojo. Na época, Shijo Kingo enfrentava o período mais solitário e perigoso de toda sua vida. Dois anos antes, ele havia tentado persuadir corajosamente o seu lorde, Ema Mitsutoki, a abraçar o ensino de Nitiren Daishonin.
O lorde Ema era um defensor do bonzo Riokan, que odiava Nitiren. Por essa razão, ele reagiu com extremo descontentamento às advertências do seu vassalo. Os aprendizes de samurai de Shijo Kingo, invejando sua habilidade e a confiança que o lorde sempre havia depositado nele, aproveitaram a oportunidade para relatar informações falsas e maldosas sobre ele, ao Lorde Ema. Em consequência disso, o Shijo Kingo perdeu a proteção do seu lorde. A situação piorou seriamente nos anos seguintes. Colegas rancorosos espreitavam uma ocasião para assassinar Shijo Kingo e, à certa altura, o Lorde Ema exigiu que ele escrevesse um juramento renuciando à sua fé, ou teria seus bens confiscados. Entretanto, graças aos incentivos contínuos de Nitiren Daishonin além da sua própria impertubável fé, Kingo conseguiu resistir a essas provações com sucesso, e finalmente, recuperar a confiança do Lorde Ema que, em 1278, concedeu-lhe um feudo três vezes maior que o que ele possuía anteriormente.
A felicidade neste mundo é uma das várias cartas que Nitiren Daishonin escreveu a Shijo Kingo para amparar sua decisão durante esse período crítico. Embora extremamente breve, representa uma afirmação comovente e atemporal de o que vem a ser realmente a felicidade e como atingí-la. Transmite também, em palavras simples e com profundo humanismo, o benefício de orar Nam-myoho-rengue-kyo, e como um budista deve conduzir os assuntos comuns de sua vida.

Sobre Atingir o Estado de Buda

Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos de nascimento e morte que vêm suportando por eras eternas e deseja alcançar a suprema iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística que sempre existiu dentro da sua vida. Esta verdade é o Myoho-rengue-kyo. Recitar o Myoho-rengue-kyo, portanto, capacita-lo-á a compreender a verdade mística dentro da sua vida. Myoho-rengue-kyo é o rei dos sutras, perfeita tanto nos caracteres como nos princípios. Suas palavras são a realidade da vida, e a realidade da vida é a Lei Mística. Esta é assim chamada porque elucida inclusive a mutualidade do relacionamento da vida e todos os fenômenos. Esta é a razão deste sutra ser considerado Myoho-rengue-kyo, 'a sabedoria de todos os Budas'.
A vida, em cada momento, engloba tanto o corpo como o espírito, a entidade e o ambiente de todos os seres sensíveis em todas as condições de vida, assim como seres insensíveis – plantas, céus e terras, até as mais minúsculas partículas de pó. A vida, em cada momento, permeia o universo e revela-se em todos os fenômenos. Aquele que entende esta verdade, demonstra a integridade da vida como o mundo fenômenal. Contudo, mesmo que recite e conserve o Myoho-rengue-kyo, se pensa que o estado de Buda existe fora do seu coração, isto já não é mais Lei Mística; é um ensino contrário a ela. Sendo assim, não é mais um ensino do Sutra de Lótus, mas um ensino provisório. Portanto, não é um caminho direto à iluminação. Desde que não é um caminho direto à iluminação, mesmo que pratique por um tempo incalculavelmente longo, não se pode atingir a iluminação. Por esta razão, torna-se muito difícil atingí-la. Portanto, quando se recita a Lei Mística e se lê o Nam-myoho-rengue-kyo, faça despertar a profunda fé que está indicando a sua própria vida, denominando-a de Nam-myoho-rengue-kyo.
Jamais pense que os 80.000 ensinos de Sakyamuni, assim como todos os Budas e Bodhsattivas do universo, existem fora de sua vida. Mesmo que estude o Budismo, se não perceber a natureza de sua própria vida, não se pode afastar do sofrimento da vida e da morte. Se procura o caminho fora de si mesmo e tenta praticar as mais variadas formas de exercício e de bondade, isto é igual a um pobre que calcula dia e noite a fortuna do seu vizinho e não obtém um tostão sequer para si. Tien-tai, portanto, afirma: "Se não percebe a natureza da sua própria vida, seus pecados passados não podem ser extingüidos". Isto quer dizer que, se não perceber a natureza da sua própria vida, mesmo que pratique o Budismo de nada adiantará; será apenas uma prática inteiramente inútil. Por esta razão, tal pessoa é humilhada como um praticante marginalizado do Budismo. Referindo-se a isto, no Maka Shikan consta: "Embora uma pessoa pratique o Budismo, suas concepções divergirão deste".
Por isto mesmo, recitar o nome do Buda original (Nam-myoho-rengue-kyo), ler o sutra ou oferecer "Shikimi" e incenso, tudo isto virá a ser causa de benefícios e boa sorte na vida de uma pessoa. Assim crendo, todos devem professar com fé. Daí, uma passagem do sutra "Jomyokyo" afirma que a iluminação é proveniente da mente das pessoas comuns e que estes atingirão a iluminação com a transformação de seus sofrimentos em Nirvana.
De acordo com o sutra, se a mente das pessoas é impura, sua terra também será impura. Pelo contrário, se suas mentes são puras, assim será a terra. Em uma palavra, não há duas terras – pura e impura – ao mesmo tempo. A diferença está na mente, boa ou má, das pessoas.
Pelo mesmo motivo, não há diferença real entre um Buda e um mortal comum. Enquanto desnorteada pela ilusão, a pessoa é chamada mortal comum, mas uma vez iluminada, é chamada de Buda. Por exemplo, um espelho embaçado brilhará como uma jóia se for polido. Sua mente, agora desnorteada pela escuridão inata da vida, é como um espelho embaçado, mas se o polir, é certo que transforma-se-á claro como cristal de iluminação das verdades imutáveis. Manifeste-se fortemente na prática da fé, polindo seu espelho incessantemente, dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outro modo a não ser devotar-se à recitação do Nam-myoho-rengue-kyo.
O que então significa "myo"? É o nome dado ao mistério da mente, a incompreensível e inexpressível natureza da vida. Quando olhar em sua mente em qualquer momento, não perceberá a cor nem a forma para verificar que ela existe. Ainda assim, todavia, não poderá dizer que não existe, pois muitos pensamentos diferentes ocorrem continuamente no senhor. A mente, sem dúvida, é uma realidade que transcende tanto as palavras como os conceitos de existência e do nada. Não é nem existência ou inexistência, mas ao mesmo tempo, é dotado de ambas as qualidades. É uma entidade mística, o caminho médio que é a realidade de todas as coisas. "Myo" é o nome dado para a natureza misteriosa da mente e "ho" denota os modos em que ela se manifesta.
"Rengue", o lótus, exemplifica fisicamente a maravilha desta lei. Uma vez que o senhor sabe que a sua vida é a verdade mística, compreende que as vidas de todos os outros também são, e que a compreensão é o sutra místico, "myokyo". É o rei dos sutras que provê o direto caminho para a iluminação porque declara que todos os pensamentos que o senhor tem, sejam bons ou maus, é a própria Lei Mística. Crendo nisto profundamente, em seu coração e recitando Nam-myoho-rengue-kyo, definitivamente alcançará o Estado de Buda nesta existência. Por conseguinte, o Sutra de Lótus afirma: "Seguindo ao meu nirvana, deve tomar a fé neste sutra. Os que assim fizerem, estão certos de viajarem direta e verdadeiramente no caminho para o estado de Buda". Não permita que a mínima duvida se imponha sobre si. Com sua fé, alcance a iluminação nesta existência.

Nam-myoho-rengue-kyo.
Nitiren

Cenário Histórico

Este Gosho foi escrito em 1255, em Kamakura, quando Nitiren Daishonin contava com 34 anos de idade e foi endereçado a Toki Jonin.
Em 28 de abril de 1253, dois anos antes de escrever este Gosho, Nitiren Daishonin havia declarado a fundação da Nitiren Shoshu no Templo Kiyozumi com o propósito de salvar toda a humanidade. O Templo Kiyozumi situava-se na província de Awa, terra natal de Daishonin. Desde então, até a perseguição de Tatsunokuti ocorrida em setembro de 1271, Nitiren Daishonin desenvolveu uma grande campanha de propagação do Verdadeiro Budismo, tendo como centro a cidade de Kamakura.
Toki Jonin converteu-se ao Budismo de Nitiren Daishonin por volta de 1254 e mais tarde devotou-se à vida sacerdotal, recebendo o nome de "Jonin". Em 16 de julho de 1260, por ocasião da Perseguição de Matsubagayatsu, ocorrido logo depois que Nitiren Daishonin enviou "Rissho Ankoku Ron" ao Regente Hojo Tokimune, Toki Jonin abrigou Nitiren Daishonin em sua própria residência, protegendo-o da perseguição. Juntamente com Shijo Kingo, Toki Jonin foi uma das pessoas centrais da propagação do Verdadeiro Budismo. Toki Jonin recebeu inúmeros Gosho de Nitiren Daishonin, tais como Kanjin no Honzon Sho, Sado Gosho, Jonin Sho, Resposta ao Lorde Toki, etc.
O presente Gosho ensina que o ponto fundamental do Budismo é a iluminação, e onde se encontra o caminho direto para atingi-la.
A iluminação evidencia-se somente nas pessoas que recitam o Daimoku e que tomaram a consciência de que são entidade da Lei Mística. Os incontáveis sutras expostos por Sakyamini, e inclusive todos os Budas e Bodhisattivas, encontram-se dentro da vida de cada pessoa. Portanto, mesmo que se devote à prática do Budismo, se não acreditar na existência do estado de Buda dentro da vida, não se pode escapar do sofrimento da vida e da morte. Ensina também a importância da prática da fé com convicção de que todas as ações em prol do Budismo transformam-se em boa sorte e benefícios a si mesmo.

1) Ultrapassando os sofrimentos da vida e morte

Se você deseja se libertar dos sofrimentos do nascimento e morte... Recitar Nam-myoho-rengue-kyo entretanto te possibilita entender a verdade inata mística de todas as vidas. (WND, pág. 3).

Para libertar-se dos sofrimentos do nascimento e morte, precisamos perceber a verdade da Lei Mística inerente em todos os seres humanos. Para isso, Nitiren Daishonin nos orienta a recitarmos Nam-myoho-rengue-kyo.
“Nascimento e morte são os sofrimentos que os senhores vêm enfrentando desde um infinito passado”, este se refere ao ciclo eterno de nascimento e vida. Sem compreender o significado da vida e morte, esse infinito ciclo se torna um sofrimento eterno. Por esse motivo, na tradição budista a frase nascimento e morte é uma expressão do sofrimento.
Quando as pessoas estão passando por grandes sofrimentos, se torna difícil a idéia de pensar em repetir essa experiência em sucessivas existências por toda a eternidade. Por essa razão é possível entender o porque que as pessoas desejem romper o ciclo de vida e morte e de alguma forma gozar de paz e tranqüilidade longe desse ciclo.
Nitiren Daishonin afirma que atingiremos sem duvida alguma uma insuperável iluminação nessa existência. Aqui ele enfatiza a existência presente dentro de incontáveis outras desde o infinito passado até o presente momento. “Insuperável iluminação” significa acordar para a verdade pela qual podemos ultrapassar os sofrimentos do nascimento e morte.
É uma grande boa sorte termos nascidos como seres humanos porque temos a capacidade de romper esse ciclo de sofrimento de vida e morte como sendo um ciclo infinito e podemos atingir o mesmo estado de iluminação do Buda. Para aproveitar essa grande oportunidade nessa existência nós precisamos seguir a realidade Mística que existe inerentemente na vida de todos os seres vivos.

A Verdade Mística que Permeia Tudo o que Existe

Essa verdade é a Lei essencial do universo que sustenta todas as coisas. Um Buda é uma pessoa que consegue se iluminar através do entendimento que a raiz (fonte) da sua vida é essa Lei.
Essa verdade é difícil de se perceber claramente ou de se entender intelectualmente. Por isso, é chamada de mística. A verdade mística é a incomensurável Lei Mística.
A Lei Mística é o princípio fundamental que sustenta o universo e dá origem a todos os fenômenos. A palavra Lei em Budismo é a tradução da palavra dharma, cujo um dos significados em sânscrito é sustentar ou apoiar.
Podemos entender a função de sustentação de uma lei, quando nos baseamos no funcionamento das leis da sociedade. Por exemplo, temos leis que regulam o sistema de trânsito e, outras que regulam as transações comerciais. Essas leis funcionam para manter a ordem e os bons costumes na sociedade.
Além das leis estabelecidas pelos homens, há muitas outras leis que sustentam diferentes aspectos da vida e da natureza, como por exemplo as leis da física e da biologia.
A Lei Mística dá origem e sustenta todas as outras leis. É a Lei essencial que sustenta todas as coisas, tudo o que existe. Em razão da dificuldade de compreendê-la é chamada de mística.
No centro do Nam-myoho-rengue-kyo está o MyoHo, que é a própria Lei Mística. Se essa Lei sustenta tudo o que existe, conclui-se que sustenta as nossa vida também. É por essa razão que Nitiren faz menção a essa Lei como a verdade mística inerente a tudo o que existe. Mas, Nitiren explica: a menos que compreendamos essa verdade mística, não conseguire-mos alcançar a iluminação suprema do Buda nem tampouco acabaremos com o interminável sofrimento dos ciclos do nascimento e da morte.
As pessoas devem entender a Lei Mística, o que é difícil de fazer. Muitos pensam, nós, pessoas comuns, não temos como conseguir isso. Um Buda é uma pessoa muito especial, tão especial que consegue vencer semelhante desafio.
Nessa passagem, porém, Nitiren afirma algo extraordinário: nessa vida, qualquer pessoa tem o potencial para compreender a verdade mística, inerente à sua vida, e dessa forma se livrar do sofrimento dos ciclos do nascimento e morte.Com essa incrível afirmação, Nitiren Daishonin revela que o imperscrutável poder da Lei está ao alcance de todos nós. Sem distinção.
Todas as pessoas, explica Nitiren, podem alcançar esse nível, que muitas religiões afirmam que é reservado apenas para uma seleta elite.

O Significado de Myoho-Rengue-Kyo

Nitiren identifica Nam-myoho-rengue-kyo como o nome dessa Lei essencial, a verdade mística inerente a tudo o que existe.
Segundo Nitiren, quando uma pessoa recita o nome dessa Lei, é o mesmo que compreender (no seu sentido mais profundo) essa verdade mística.

Atingindo o Estado de
Buda Nessa Vida

Sakyamuni compreendeu a Lei Mística através da sua sabedoria e, tentou ensinar aos seus discípulos a prática para atingir a mesma sabedoria. Nitiren Daishonin, porém, nos ensina a cantar Nam-myoho-rengue-Kyo com a confiança inabalável que a Lei Mística existe dentro de nós. Recitar o Nam-myoho-rengue-kyo é uma expressão dessa confiança, a prova da nossa fé. Demonstra a nossa intenção de viver de acordo com essa Lei. Ao mesmo tempo, é uma afirmação que a nossa existência é essencialmente baseada nessa Lei.
Nitiren afirma que cantar Nam-myoho-rengue-kyo nos possibilita perceber a verdade mística inerente a toda vida. A grande contribuição de Nitiren foi a descoberta desse caminho para a realidade suprema.
Antes dele, a Lei Mística era apenas sugerida através de metáforas, nunca explicada diretamente. Diferente de mestres anteriores, Nitiren revelou que qualquer pessoa pode manisfestar essa verdade mística se desenvolver confiança na Lei Mística, através do ato de cantar o seu nome, ou seja Nam-myoho-rengue-kyo.
Quando essa verdade mística é ativada na vida de uma pessoa, o poder ilimitado da Lei Mística se manifesta livremente mostrando as várias facetas da força de um ser humano.
Por exemplo, a Lei Mística é revelada na vida de uma pessoa, como coragem, perseverança, sabedoria, compaixão e força para vencer as dificuldades da vida.
Essas qualidades, atributos do Buda, vêm à tona das profundezas da vida da pessoa. O ato de recitar Nam-myoho-rengue-kyo com confiança possibilita qualquer pessoa compreender a verdade mística e manifestar o Estado de Buda. O Estado de Buda é o mais alto estado de vida que cada um de nós pode atingir.
O Imenso Poder da Lei Mística se Manifesta na Vida de uma Pessoa como o Desabrochar de seu Potencial Ilimitado
É importante ressalvar que o que impede o poder da Lei Mística de se manifestar na vida de uma pessoa é o que o Budismo denomina de obscuridade fundamental. A obscuridade fundamental é a nossa própria ignorância e ilusão, enraizadas na nossa vida.
A obscuridade fundamental é a ignorância da Lei Mística que leva ao estado de confusão. Isso faz com que nos submetamos à influência dos impulsos negativos que nos conduzem à infelicidade. A nossa obscuridade fundamental é a raiz de todo o nosso sofrimento e infelicidade.
Quando despertamos para a Lei Mística, essa obscuridade fundamental é transformada. Para ilustrar, por analogia, a Lei Mística está para o sol, como a obscuridade fundamental está para as nuvens. Quando as nuvens carregadas são dissipadas, os brilhantes raios da luz do sol iluminam tudo imediatamente. Quando transformamos a nossa ignorância, o poder da Lei Mística começa a trabalhar nas nossas vidas criando benefícios e melhorando tudo ao nosso redor. Os benefícios e valores positivos que a Lei Mística faz aflorar nas nossas vidas podem ser comparados à flor de lótus, que floresce no pântano lamacento. O Myoho-rengue-kyo é a vida do Buda que está conectado com a Lei Mística.
Ainda que todas as pessoas sejam entidades da Lei Mística, se não lutarem para dissipar as pesadas nuvens da obscuridade fundamental, não conseguirão que o Estado de Buda emerja da profundidade de suas vidas. Cantar Nam-myoho-rengue-kyo somente, como se fosse uma fórmula mágica, não é o suficiente.
Para estabelecer o caminho que nos leva ao nosso Estado de Buda, precisamos travar uma batalha interna, para combater a obscuridade fundamental que está instalada nos nossos corações. A descrição dessa batalha em uma palavra é FÉ.
Nitiren Daishonin descobriu o Nam-myoho-rengue-kyo quando procedeu a um profundo estudo do Sutra de Lótus, que revela a iluminação do Buda. Através da sua própria luta interna, Daishonin comprovou que a Lei Mística também está dentro de nós.
A obscuridade fundamental pode se manifestar de várias formas, como por exemplo a dúvida, a insegurança, o sofrimento, etc. Uma pessoa somente é capaz de combater tudo isso através do poder da FÉ. Nitiren disse, a fé é a espada afiada com a qual uma pessoa pode confrontar e vencer a obscuridade fundamental. (O Registro dos Transmitidos Oralmente, págs. 119-20).
Desafiar as funções negativas da vida significa essencialmente combater a obscuridade fundamental. Atualmente, estamos combatendo a influência de Nitiren Soshu, que está tentando dificultar a realização do Kossen-rufu. Para maiores informações sobre Nitiren Soshu visite: www.sokaspirit.org.
Toda vez que confrontamos os vários obstáculos que se interpõem nas nossas vidas, estamos essencialmente confrontando a obscuridade fundamental. Se perdermos a nossa FÉ, a nossa convicção no nosso potencial para manifestar felicidade absoluta, a nossa inspiração para realizar o Kossen-rufu sucumbirá a esses obstáculos.
Recitar Daimoku (Nam-myoho-rengue-kyo) tem dois aspectos: fé e prática. A fé é o elemento fundamental, para se ter uma atitude efetiva ao cantar. A prática tem dois componentes: prática individual e prática para os outros. O primeiro aspecto da prática, o individual é como uma afirmação da nossa crescente FÉ no Gohonzon. À medida que continuamos, vamos naturalmente desenvolvendo a nossa compaixão em relação às outras pessoas, o que faz com que surja o desejo de compartilhar com os outros as maravilhas do Nam-myoho-rengue-kyo. Dar expressão ao desejo de compartilhar com os outros o Nam-myoho-rengue-kyo é o segundo aspecto da prática: a prática para os outros.
Recitar Daimoku do Sutra de Lótus, o Nam-myoho-rengue-kyo, faz com que, antes de qualquer coisa, desenvolvamos a nossa convicção, a nossa FÉ na Lei. Somente através da nossa luta espiritual, para desenvolver a FÉ e, aplicar os aspectos do ato de recitar Daimoku, tanto na nossa prática individual como na prática para os outros, é que conseguimos entender no coração a verdade mística inerente a tudo o que existe. Essa é a única receita para manifestar o poder do nosso Estado de Buda.

“SOBRE ATINGIR O ESTADO DE BUDA NESTA EXISTÊNCIA”

2) Minha Vida é uma Entidade da Lei Mística

Mesmo que recite e acredite no Myoho-rengue-kyo, se pensar que a Lei existe fora de seu coração, o senhor não estará abraçando a Lei Mística, mas um ensino inferior... Assim, quando recitar Myoho-rengue, deverá manifestar uma profunda fé de que o Myoho-rengue-kyo é a sua própria vida (END, pág. 3.)

Nitiren Daishonin nos adverte de que, embora possamos recitar o Nam-myoho-rengue-kyo, se acharmos que ele encontra-se fora de nós mesmos, então a nossa prática não será mais a prática da Lei Mística, mas um ensino inferior. Por essa razão, nos seria impossível atingir o estado de Buda nesta existência. Devemos entender que a nossa própria vida é uma entidade do Myoho-rengue-kyo e, por isso, se buscarmos a iluminação fora de nós mesmos, não estaremos praticando a Lei Mística, mas um ensino inferior.
Nitiren Daishonin afirma que se pensar que a Lei existe fora de seu coração..., sublinhando, dessa forma, que o ensino da Lei Mística baseia-se em princípios internos, inerentes à vida de cada um, e não em princípios externos. Como exemplo desse tipo de situação, tome-se o fato de muitas pessoas reverenciarem Budas e bodhisattvas, como se pertencessem a uma classe especial, mas considerarem suas próprias vidas como inferiores. Dessa forma, embora tais pessoas possam aparentar possuir uma grande fé, na verdade concebem suas vidas como algo desvinculado do Myoho-rengue-kyo. Esse tipo de pensamento é exemplificado pelo Budismo da Terra Pura, no qual o Buda Amida, que vive na Terra Pura, local para onde levará seus adeptos depois de falecidos.
As religiões que buscam a salvação no absoluto tendem a concentrar-se em questões dissociadas da vida das pessoas comuns. Além disso, essas religiões tendem a permitir o surgimento de intermediários entre o absoluto (ex. Deus, Buda) e as pessoas comuns. Pelo fato de o clero, na qualidade de intermediário, arvorar-se em um grupo mais perto de Deus ou de Buda, passa então a ser visto como um grupo de seres superiores, situados em um patamar acima das pessoas comuns. Essa visão discriminatória – que é a essência da seita Nitiren Shoshu – é também um exemplo da crença equivocada de que a Lei existe fora de seu coração. Nitiren Daishonin esclarece que a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo com essa perspectiva não é a prática correta que nos capacita a atingir o estado de Buda nesta existência. Essa escritura de Daishonin já é, por si só, uma refutação da seita Nitiren Shoshu.
De forma geral, as religiões estão centradas no clero. Nitiren Daishonin, contudo, opunha-se a isso. Tendo por base o ideal do Sutra de Lótus, segundo o qual todas as pessoas podem atingir a iluminação, Nitiren transcendeu a tendência das religiões de centrarem-se no clero e, portanto, transcendeu também o potencial de autoritarismo inerente a tal situação.
Desde o primeiro Presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguti, os membros da SGI praticam de conformidade aos ensinos de Daishonin. Porém, muitos membros do clero da seita Nitiren Shoshu, voltados apenas para a manutenção de seus privilégios, reagiram contra os pontos de vista da SGI relativamente à prática da fé entre seus adeptos. Enquanto alguns membros do clero reconheciam a correção da prática da SGI, a maioria, contudo, abusava da autoridade religiosa que detinha.
Durante o período feudal no Japão, o governo encorajava os membros do clero das seitas budistas a exercerem a maior autoridade possível sobre as pessoas comuns. Esse sistema promoveu entre os praticantes laicos uma relação de subserviência para com os religiosos. O clero da seita Nitiren Shoshu exerce, mesmo nos dias de hoje, essa autoridade religiosa. Nikken Abe, que foi sumo prelado, tentou destruir a religião dedicada ao kossen-rufu, organizada pela Soka Gakkai, buscando reavivar uma doutrina centrada no clero. Por conta das ações do sumo prelado com esse intento – que ficaram conhecidas como ´Operação C` -, podemos afirmar que o clero da Nitiren Shoshu caluniou a Lei, afastando-se fundamentalmente do budismo de Nitiren Daishonin.
Tendo em vista o fato de que Daishonin adverte repetidamente para que não se busque a Lei fora de nossa própria vida, podemos transcender o destino de religiões que caem no formalismo e no autoritarismo. Essa advertência de Daishonin pode ser considerada seu padrão fundamental para se avaliar uma religião.
De acordo com o presidente Ikeda, aqueles que conduzem a fé e a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo sustentados pela convicção de que o Myoho-rengue-kyo é a Lei fundamental que rege suas existências, experimentam a eternidade da vida e fazem com que dela brote incessante energia, que nada pode destruir. Nessas condições, afirma o presidente Ikeda, não importa o que aconteça, seguiremos desfrutando de um completo estado de liberdade: esse é o estado de Buda, e nisso reside o profundo da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo. (The World of Nichiren Daishonin´s Writings, vol 1, págs 127-28.)
Myoho-rengue-kyo é a lei fundamental e eterna que rege o Universo. Todos os fenômenos surgem da profundeza de um grande oceano chamado de Lei Mística, e para ele retornam.O estado de Buda permite-nos manifestar livremente o ilimitado poder da Lei Mística em nossa vida e em nossas ações. Contudo, quando as nuvens escuras da dúvida e da desilusão cobrem nossa existência, não mais podemos manifestar o ilimitado poder da Lei. Essa é a razão dos sofrimentos do nascimento e morte, existência após existência. O ponto mais importante é manifestar uma fé sincera. Desenvolver tal convicção, porém, é uma tarefa das mais difíceis, pois sempre permitimos que nosso ´ego menor` controle nossa vida.
A realidade da vida é uma sucessão de preocupações. Por essa razão, é crucial decidir: minha vida é Myoho-rengue-kyo. Com esse entendendimento, podemos corajosamente desafiar e vencer as preocupações. Com a confiança de que somos Myoho-rengue-kyo e de que jamais será preciso retroceder, é possível desafiar todos os obstáculos. Conseguir ou não manifestar uma coragem que seja a expressão de nossa confiança – ou fé –, consiste na chave da vitória em nossa vida. Superar nossa própria covardia, apesar de toda a negatividade que possa surgir em nossa vida, é o ponto mais importante. Devemos avançar sem retroceder um único passo, desenvolvendo a confiança de que temos poder suficiente para fazer isso. Esse poder é o Myoho-rengue-kyo. Se, ao contrário, temermos os obstáculos e retrocedermos, estaremos escolhendo acreditar que a Lei existe fora de seu coração. Devemos nos precaver contra essa queda. O cerne da questão, portanto, é desenvolver uma coragem que se baseie na fé. A fé – ou convicção – é a causa, e o estado de Buda é o efeito, e causa e efeito são as duas faces de uma mesma moeda.